Escrevo como respiro

Deixo-me vir para a folha como quem de fato volta ao seu próprio lugar

Eu não vou à folha, venho dela.

E neste ir e vir que é um único movimento

Me encontro e desencontro. Reencontro

Uma e outra vez o que preciso para viver e me comunicar

Criar pontes para o mundo em volta

Me trazer de volta.

Então quando saio à rua

E encontro as pessoas

E tudo que há lá

Estou em casa

É um lugar que fiz para mim

E refaço cada vez que escrevo

E também quando não escrevo

Que é quando estou matutando

Costurando

Unindo os fios do que vou lendo vendo.