Ehud Barak: o alvo de Israel é o Líbano e não o Hizbollah

Israel é um Estado fascista, terrorista, criminoso, racista e fora-da-lei. Há ainda alguma dúvida sobre isto?

 

É inacreditável que em pleno século XXI um Estado possa ameaçar a existência de outro impunemente.

 

Israel, além de ocupar os territórios palestinos há 61 anos, continua violando, dia e noite, o território e os espaços aéreo e marítimo do Líbano. O objetivo de tais “incursões”, no jargão da mídia racista e ocidental, é gerar uma resposta violenta dos libaneses para dar ao exército de Israel um pretexto para destruir o Líbano e massacrar os libaneses, assim como já fizera em 1969, 1973, 1978, 1981, 1982, 1993, 1996 e 2006.

 

Na verdade, desde o início dos anos 1950, poucos anos do recém-nascido “Estado judeu”, Ben Gurion, então ministro da defesa (sic), procurava invadir o País dos Cedros para impor um presidente cristão pró-israelense no poder em Beirute, assim como anexar o sul do Líbano, onde o rio Litani seria um fornecedor de energia para a almejada industrialização de Israel. O plano foi rejeitado pelo então premier Moshe Sharret, pois a complexa política libanesa destroçaria quaisquer pretensões expansionistas israelenses. A sábia advertência de Sharret não foi levada a sério pelos seus sucessores, que pagaram (e continuam pagando) caro pela imprudência e arrogância criminosa.

 

Em novembro de 2009, o exército libanês, quase sempre ausente na defesa do Líbano, alvejou um avião militar não-tripulado (drone) israelense, que atacou o Líbano. As lideranças israelenses, no entanto, já não escondem que o alvo não é mais o Hizbollah (como a OLP fora no passado). Para o ministro da defesa (sic), Ehud Barak, o alvo de Israel é o Líbano. Segundo líderes israelenses, no momento em que o Hizbollah foi aceito no governo libanês, o Líbano passou a ser o responsável pelos atos do partido-milícia islâmico e que, portanto, deve ser punido em caso de “violação” do cessar-fogo estabelecido em 2006. De acordo com os israelenses, o grupo xiita planeja destruir Israel, apesar do chamado “Estado judeu” ter promovido 8 grandes ataques/invasões ao Líbano, assassinando milhares de pessoas e arrasando a infra-estrutura do país, sem apresentar qualquer sucesso. Cinco destes ataques/invasões ocorreram antes da fundação do Hizbollah (1985). Israel já provou que não tem capacidade para ocupar e nem de dominar o Líbano indefinidamente, portanto, concluiu que destruir um país e exterminar um povo é mais fácil do que vencer uma guerrilha de resistência.

 

Fica uma pergunta. O que o mundo diria se, por hipótese, um ministro da Síria ou de qualquer país árabe ou muçulmano dissesse na TV ou na imprensa que Israel é o alvo? Qual seria a reação do Ocidente e do mundo “livre e civilizado”? Certamente, milhares de advogados da causa sionista diriam que “Israel tem o direito de existir e de se defender”.

 

É mais que conhecida, portanto, a indiferença do Ocidente em relação ao expansionismo militar de Israel. Quem, no entanto, realmente oferece total segurança aos terroristas israelenses em suas ameaças e a certeza de impunidade de seus crimes não é o Ocidente é um mundo árabe estilhaçado, aonde não faltam aliados declarados ou não, e a cumplicidade dos demais países vizinhos da região, como Irã e Turquia, que, na retórica, advogam o título de “campeões da causa palestina”, mas que sempre apostam na lógica do “quanto pior, melhor”. A indiferença continua sendo o combustível para o expansionismo militar israelense. Os libaneses (assim como os palestinos) sabem que não podem contar com ninguém para sua defesa, exceto o auxílio da Síria à resistência árabe no sul do Líbano.

 

Há exatos 40 anos, o Líbano é atacado por Israel. Na primeira vez, em dezembro de 1969, a aviação israelense atacou e destruiu toda aviação civil libanesa, no aeroporto internacional de Beirute. Na invasão terrorista dos israelenses de 1982, apoiada por milícias libanesas, foram mais de 25 mil árabes (palestinos, libaneses e sírios) exterminados pelas tropas de Ariel Sharon. No último ataque terrorista ao território libanês, no verão de 2006, Israel exterminou 1.200 árabes (palestinos e libaneses), tendo o apoio velado do Egito, Jordânia, Arábia Saudita e Marrocos. O Irã balbuciou uma resposta, mas preferiu prosseguir o massacre dos iraquianos. O regime islâmico xiita sectário iraniano apóia o projeto sionista de dividir o Iraque em 3 Estados, mediante a limpeza étnica. Ao mesmo tempo, os assassinos israelenses exterminaram mais de 600 palestinos na Faixa de Gaza. Israel ocupou o Líbano por 22 anos (1978-2000) e só se retirou após uma tenaz resistência árabe (palestina, libanesa e síria) contra os invasores, liderada pelo Hizbollah, após a expulsão da OLP do Líbano, em 1983, que só foi bem sucedida depois de liquidar um grupo terrorista libanês pró-sionista, o Exército do Sul do Líbano. Ainda assim, somente uma grande parte do sul do Líbano foi desocupada pelos assassinos israelenses, restando, sob as botas sionistas, as Fazendas de Shebaa.

 

Agora, Israel pretende recuperar sua capacidade de dissuasão, com a ameaça de uma nova invasão do Líbano, após sucessivas derrotas frente aos árabes (1982, 2000, 2006-9), perdendo a confiança de seus aliados regionais e internacionais. Israel sabe que ao invadir e massacrar os libaneses mais uma vez provocará uma resposta da resistência árabe (libanesa e palestina) no sul do Líbano, liderada pelo Hizbollah, que, desta vez, não poupará a vida dos civis israelenses. Pois não poupar a vida de civis tem sido a norma de conduta das tropas israelenses. Nos massacres do Líbano e da Faixa de Gaza entre 2006 e 2009, mais de 4 mil árabes (libaneses e palestinos) foram exterminados, sendo os civis a maioria esmagadora das vítimas fatais das bombas de fósforo, de fragmentação, de urânio empobrecido e de “arrsasa-quarteirão” (de 1 tonelada) lançadas pela aviação israelense. O Hizbollah, assim como toda a resistência árabe no sul do Líbano, entendeu o recado. Israel provoca o “terrorismo árabe”, prevendo e calculando a morte de civis israelenses, unicamente para favorecer as ambições geopolíticas de seus parceiros regionais (árabes ou não) e internacionais, que, por sua vez, fornecem o sinal verde para o terrorismo sionista. Esta é o verdadeiro círculo do terror no Oriente Médio.