Doença de Parkinson

Hoje, dia 11 de abril é o dia mundial de luta e combate à Doença de Parkinson:

O clima tornou-se gélido pois, ele parecia já não sentir a diferença e a sensação ambiental do momento. A comida já não era tragada e, ver os pássaros já não lhe fazia parte do roteiro diário. Ele já havia acostumado a ser empurrado para fora do quarto com o auxílio de um cuidador pois já não tinha os movimentos cotidianos. Como uma bicicleta enferrujada e, sem lubrificação, as articulações foram se enrijecendo e, os movimentos, os passos,   se tornaram curtos a partir do momento em que o Parkinson tomou-lhe conta. Era o meio caminho de uma jornada presa ao seu próprio corpo. Vítima de um gatilho vital de seus nervos, seu Plácido evoluiu lentamente para aquela forma em que estava, depois de ter sido vítima dos primeiros problemas onde uma das mãos começou a tremer, a marcha tornou-se lenta e a face tornou-se inexpressiva. Definitivamente estava se tornando prisioneiro em seu próprio corpo. Será que o doutor James Parkinson, descritor da doença, temia pelo seu descobrimento? Seria possível a doença de Parkinson  aprisionar o indivíduo a ponto de matá-lo em seu próprio corpo?

 

Doença de Parkinson

 

A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa progressiva que está associada à perda dos neurônios dopaminérgicos na substância nigra, uma estrutura do cérebro associada ao equilíbrio e movimentos. As pessoas com essa doença começam a notar problemas com movimento, tremor, rigidez nos membros ou no tronco e equilíbrio prejudicado. O sintomas podem evoluir para dificuldade de caminhar e completar tarefas consideradas simples como falar e, engolir os alimentos. Os sinais  podem ser iniciados por depressão, ansiedade e desconforto musculoesquelético de 4 a 8 anos antes dos sintomas de maneira lenta, insidiosa, e o paciente tem dificuldade de precisar a época em que apareceram pela primeira vez. Geralmente o anúncio inicial propriamente dito é o tremor  de uma das mãos, quando esta se mantém em repouso, bem visível ao apoiar e uma das coxas da própria portadora do sintoma .

Os fatores de risco são hereditariedade, idade avançada, sexo masculino e exposição a metais, pesticidas e solventes entretanto, sem provas de sua casualidade. De acordo com as estatísticas, na grande maioria dos pacientes, a doença surge a partir dos 55, 60 anos e sua prevalência aumenta a partir dos 70, 75 anos.

O diagnóstico deve ser realizado por profissionais médicos experientes na abordagem da doença pois, quanto maior a precisão e o tempo de descoberta, melhor o sucesso terapêutico com a progressão dos sintomas.

A doença de Parkinson não tem cura preestabelecida onde o tratamento consiste em uso de drogas neuroprotetoras, apoio psicoterápico em função da depressão, perda de memória e demência até o uso da abordagem cirúrgica em casos pontuais quando o tratamento medicamentoso dificuldade do controle dos sintomas.

Não existe evidências consistentes na prevenção da doença mas estudos, ressaltam a importância de uma dieta balanceada com a alimentos neuroprotetores, realização de atividades físicas e mentais regulares com o objetivo de reduzir uma possível instalação e até mesmo, a progressão dos sintomas. Para os cuidadores dos portadores da doença, o  Ministério da Saúde do Brasil produziu um guia prático para o cuidador, a fim de esclarecer, de modo simples e ilustrativo, os pontos mais comuns do cuidado no domicílio e promover melhor qualidade de vida ao cuidador e à pessoa cuidada.

 

Referências:

Gusso,Gustavo; Ceratti, J. M L; Tratado de Medicina de Família e Comunidade; Artmed 2019; capítulo 231.

Varella, Drauzio. Doença de Parkinson [Internet]. [capturado em 11 abr. 2019]. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/doenca-de-parkinson/

Brasil, Ministério da Saúde. Guia prático do cuidador [Internet]. Brasília; 2008 [capturado em 11 abr. 2019]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_cuidador.pdf.

 

Brasileiro, Casado. Médico formado pela Escola Latinoamericana de Medicina (ELAM), Havana, Cuba. Atua como médico residente de Medicina de Familia e Comunidade na Secretaria de Saúde de Sinop (MT). É professor de medicina na Universidade Federal de Mato Grosso, locutor de Saúde com quadro semanal, palestrante e músico.

Seções: Educação, Opinião, Saúde.