Discussão de cientistas sociais: Nem metafísico, nem real

Discussão de cientistas sociais: Nem metafísico, nem realTexto abaixo de Tony Nardini
(apesar da assinatura estar com o nome de “Tony Nardini”, o texto foi creditado ao Jabor, talvez pela falta de educação e a necessidade de ser impactante mesmo quando isso é apenas fachada para a falta de argumentos, o que é típico do Jabor mesmo)

O texto e, em seguida, a discussão:

Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.

Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida; Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza; Aceitar que ONG’s de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade. Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.

Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.

Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada. Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência. O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade são oriundos do povo.

O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

Brasileiro é um povo honesto. Mentira. Já foi; hoje é uma qualidade em baixa. Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.

90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime. Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como ‘aviãozinho’ do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

O Brasil é um pais democrático. Mentira. Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros foi executado friamente. Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.

Democracia isso? Pense! O famoso jeitinho brasileiro. Em minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira.

Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um ‘gato’ puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto… malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeão do mundo né? Grande coisa…

Comentário de Luanda R. do Nascimento
O Jabor é competente na construção de suas idéias, contudo me incomoda bastante ver o simplismo de determinados elitismos preconceituosos do pensamento dele. Aliás, “brilhantismos” à parte o Jabor sempre me cheirou inclinado ao reacionário. Este texto me confirma a impressão. É, realmente inteligência não é sinônimo de verdade, nem de bondade, nem de progressividade.

Comentário de Isabela Nogueira da Gama
Luanda, com certeza é uma generalização, até para o texto “chocar”, ter efeito… concordo que não é o radicalismo que vai resolver nada, mas nós somos uma sociedade extremamente permissiva, e por isso que estamos como estamos… aí temos que aturar toda essa violência, corrupção, uma justiça que simplesmente não faz justiça. seria bom buscar um equilíbrio né, entre a ordem e a liberdade.

Aliás, pode perceber que os bons governos são os de centro. Nem reacionário, nem revolucionário, nem liberal demais, nem social demais. Estado não é pra ser paternalista/provedor (demagogia pura, já que esses políticos provêem é com o dinheiro do povo pagador de imposto). Eu quero um governo que saiba administrar com eficácia os recursos deste país, que são muitos, é triste ver que até o mais básico nos falta!!

Comentário de Luanda R. do Nascimento
Idéia de governos de centro serem melhores sou reticente Bela, quando falo do equilíbrio falo no sentido de princípios e valores. Há que se ter posicionamentos inclusive para saber a partir de que base se negocia, e a minha com certeza é à esquerda.

O liberalismo político é bom, mas somente no sentido da radicalização da democracia, para que todos realmente se contemplem nela e possam participar com suas demandas e aí sim chegarmos ao sonhado equilíbrio.

Enquanto isto num país desigual nas vertentes econômica, racial, regional e de gênero só para citarmos algumas, tem que radicalizar para o lado de quem justamente não recebe nada, muito pouco ou muitas vezes é penalizado para pagar os luxos do restante da sociedade. E para isto não basta ser de centro, tem que ser bemmmm de esquerda e de base (para escutar estas partes oprimidas e sub-representadas), se num novo momento com um novo cenário de mudanças, todos estiverem melhor representados e contemplados na divisão de ônus e bônus da sociedade brasileira, quem sabe conseguimos o sonhado país multirracial e democrático jamais vivido “na história” deste país?

Porque sinceramente, sem olhar com auto-crítica e crítica social para a realidade atual entendendo e assumindo nossas parcelas de participação na sociedade racista, sexista, regionalista e elitista que vivemos para transformá-la numa sociedade realmente com a cara do Brasil na representação de interesses, nunca chegaremos ao equilíbrio e só fomentaremos mais e mais conflitos com o passar das gerações.

Comentário de Renato Kress
Dificil acreditar que algo com um mínimo de bom senso tenha sido escrito pelo Jabor. O autor não é o que assina embaixo dos textos? Como por exemplo nesse caso o Tony Nardini? De qualquer forma sobra no texto uma cinismo reacionário típico de quem frequenta as altas escalas do partidarismo tupiniquim, aquele pessoal que acha que reuniões de eleitores do PSDB tem um “cheiro, mas um cheiro bom” como disse vergonhosamente uma repórter da Folha algum tempo atrás.

O projeto político neocapitalista de criminalização da pobreza passa por crenças e valores como os expressos nas entrelinhas desse texto, onde algumas obviedades são exaltadas para que possamos engolir melhor um reacionarismo que abre caminho a coisas piores do que já temos. Essa forma reacionária de falácia argumentativa, que escamoteia veneno sob a égide de obviedades, já era conhecida na Atenas pré-socrática e permanece usada pelos mercadores de opinião como Jabor e cia.

Comentário de Luanda R. do Nascimento
Bem lembrado Renato, sofismo dos mais deslavados!

Comentário de Isabela Nogueira da Gama
Não é possível que vocês achem que 40% de “participação” do governo na sua renda não seja o suficiente! Não acho nada reacionário achar que esse valor é suficiente para garantir pelo menos o básico que uma sociedade precisa. Não é necessária uma participação maior do estado, e sim uma administração eficaz de recursos, com políticas para reduzir ao máximo as desigualdades de oportunidades. Agora, se não fosse a iniciativa privada, o país estaria na lama! É bom ir passear em Cuba, na Venezuela e depois refletir se estatização total dá certo! Nem o partido comunista chinês pensa assim! Vocês acham que os esquerdistas daqui fariam diferente? E sinceramente, esse discursinho esquerda x direita é tão ultrapassado! Pegue os países com IDH mais alto, com índice de Gini mais baixo, etc, e veja que são todos de economia mista. Não tem jeito galera, o caminho é o centro (no bom sentido, não no sentido pmdbista).

Comentário de Luanda R. Do Nascimento
Que há “má gestão” histórica de recursos no Brasil isto é mais do que sabido. Contudo há que se meditar sobre a origem desta “má gestão”, que ao meu ver muito mais do que uma questão técnica de eficiência, ou de pura “ma fé” dos políticos corruptos, sinaliza algo muito mais profundo que remonta à gênese da formação sócio-política brasileira, que é o fato de que o país sempre foi pensado para o usufruto das elites.

É por isso que o “pseudo-patrimonialismo” onde os políticos confundem recursos públicos com os particulares, pelo menos ao meu ver não passa de balela, eles não confundem nada apenas usufruem daquilo que acham mesmo ser seu em detrimento de cidadãos de segunda classe aos quais nada ou quase nada deve restar mesmo. Esta atitude elitista se replica nos níveis mais micro de sociabilidade e nós sabemos. O que há no Brasil de fato é a sub-cidadania de grande parte da população, majoritariamente e não por casualidade não-branca, feminina, nordestina e nortista de forma que a estes/estas é programático não ser dado nada.

Por isso acho sim, Bela, que a discussão vai muito além de esquerdaXdireita, eu como mulher negra mal representada em todas as forças políticas não seria capaz de estar cega a esta disputa de elites “progressistas” e “reacionárias” que é o que esta contraposição realmente significa.

Contudo, sem uma visão essencialista desta contraposição, sei que pelo histórico de formação retórica e de movimentação popular são sim os partidos de esquerda enquanto perdurar a nossa flamigerada democracia “representativa”, “que fica lá como uma santa no altar” já diria José Saramago (um homem branco europeu progressista) o locus onde os movimentos e setores da sociedade civil estão e podem reivindicar, cobrar e senão desiquilibrar a correlação de forças desigual da sociedade brasileira, ao menos estar presente como imagem a constranger maiores atrocidades à qual a direita descomprometida com qualquer movimento de base nunca se furta.

Comentário de Isabela Nogueira da Gama
Concordo que a inclusão é necessária, que o caminho deve ser políticas que busquem a igualdade de oportunidades (ou pelo menos cheguem o mais perto possível disso), mas eu não vejo na esquerda – pelo menos não a estatizadora, centralizadora, desapropriadora – a solução para isso. Até entendo o seu ponto de vista, que é na esquerda que se encontram movimentos que lutam pela inclusão do negro, da mulher, etc e eu estava vendo a questão pelo lado econômico. Mas não seria isso porque falta ao Brasil partidos com ideologia social-democrata de verdade?

Comentário de Luanda R. Do Nascimento
Sei não Bela, eu nem sou muito adepta destas discussões de inclusão e sustentabilidade, na verdade são escamoteamentos da verdadeira questão que passa mesmo pela opção política de exploração de uns milhões em benefício perpétuo e hereditário de outros milhares. É isto aí mesmo, sabe Bela.

Não é bonito de se ver, nem agradável de se assumir, mas é isto a composição do Brasil atual “was meant to be” pelas elites portuguesas escravocratas que se perpetuam desde então no poderio do país, não por questões “culturalistas” do patrimonialismo ibérico, mas por uma questão política que se verifica em qualquer país colonizado, as elites metropolitanas e nativas “cooptadas” (odeio este termo mas não me vem outro à cabeça agora) se alinham aos países centrais e suas elites puramente brancas, masculinas, e de modelo eurocêntrico (motivo pelo qual os EUA deu tão certo rss).

Daí mudar este modelo é mudar paradigmas é assumirmos que somos racistas em cada instituto e instituição social e politica, que somos machistas, que somos metropolitanos (com toda carga semântica de atualização que recaia sobre o termo) e que temos que mudar então toda a sociedade, não basta incluir o negro num sistema racista, a mulher num sistema machista – como aliás vemos muito bem que não adianta no mercado de trabalho e na jornada tripla das mulheres – o nordestino/nortista num sistema que continuará concentrando riquezas no sudeste.

Nada é acaso, tudo é escolha política, e se na esquerda não se conseguirá totalmente mudar este paradigma, que dirá no centro ou na direita. No centro já estamos há muito tempo, o governo Lula é considerado centro até pela The Economist, e está longe de ser a Brastemp que os militantes desejavam, mas não por ser paternalista, porque sem este paternalismo muita gente sequer estaria comendo, e se há disperdício de dinheiro no meio do caminho ou a solução não é a mais freiriana, me pergunto o que as gestões de direita fizeram melhor?

É isto, é triste, mas de fato sei como é o cenário político brasileiro e sempre me posicionarei onde tiver mais espaço para cobrar. Até porque o que para muitos (a elite) é questão de “progressividade” para mim é questão de existência (sou preta, mulher e pobre).

Comentário de Renato Kress
Tive que copiar e colar o teu argumento para poder não deixar nada sem ser apreciado diante de todas as questões levantadas, Bela. Com relação à ‘participação’ do governo em 40% da minha renda eu ficaria mais preocupado em fiscalizar o retorno do que em reclamar da quantia. Vivendo sob a égide do discursismo vazio e do sofisma (como o que dá entrada a toda essa discussão aqui), prefiro ter o argumento de que pago muito para poder exercer minha cidadania e cobrar muito em troca. Concordo contigo que esse valor é mais do que o suficiente para garantir ‘pelo menos o básico que uma sociedade precisa’. Na verdade é bem mais do que isso.

Quanto à participação do Estado ela deveria ser pelo menos estratégica, setores como mineração, telecomunicações, bens naturais, energia e transporte devem – por questões de segurança nacional – serem cuidados pelo Estado Brasileiro. Para isso, sem dúvida, é necessária uma “administração eficaz de recursos”. Discordo frontalmente com relação ao estado do país “se não fosse a iniciativa privada”. A dicotomia “público-privado” em grande escala no Brasil também não se aplica, ou até se aplica menos do que a dicotomia “esquerda-direita”, tudo o que é privado aqui tem subvenção estatal, nenhum banco quebra no Brasil e os recordes de lucro são sempre astronômicos, mesmo porque há um processo de privatização do Estado brasileiro e esse processo não só determina as eleições como as políticas partidárias.

Por falar no assunto, eu não disse em momento nenhum que a estatização total é a panacéia para a humanidade sofrida ou qualquer demagogia barata e superficial. Simplesmente não faz meu estilo acreditar que “a” (única) solução exista. Confio em soluções integradas, momentâneas e mutáveis, mesmo porque a sociedade (brasileira, guatemalteca, norte-americana, europeia, africana…) não é estática e não se presta a uma solução estática. Agora não posso abrir mão de questões de interesse estratégico, como as mencionadas acima e sucateadas propositalmente por um governo que agia em nome unicamente do todo-poderoso capital internacional, usando de todas as técnicas possíveis para desacreditar o funcionalismo público, a Petrobrás, a Vale do Rio Doce (DOADA pelo lucro bimestral dela, querendo eu passo os números todos).

São questões diferentes com graus diferentes de análise. Nada é preto no branco, nem o cinza é. Ou seja, nada é “esquerdaXdireita” como nada é “EstadoXMercado”, nem “social-democracia” nem “parceria público-privada” são nomenclaturas úteis para compreensão do mundo, mas são metáforas para a realidade, não a realidade em si. Esta é sempre mais complexa e dinâmica do que as nomenclaturas.

Quanto ao partido “comunista” chinês, é um bom exemplo de que a nomenclatura soa estranha, não? De qualquer forma eles me parecem (parco conhecimento do assunto) mais preocupados com o crescimento do poder do Estado deles e em reter capital (que por sua natureza neocapitalista é volátil e especulativo) para o desenvolvimento do país deles. Estão mais do que certos! Talvez eles tenham lido o livro do Barbosa Lima Sobrinho “Japão: o Capital de faz em casa”, escrito por um dos vários mestres que o Brasil não sabe valorizar.

Com relação aos países com IDH mais alto eles têm a taxa de juros que temos? Não. Mas eles têm a taxa de impostos que temos? A maior parte sim. Talvez a política econômica que lambe as botas da toda-poderosa iniciativa privada e desvia recursos públicos para cobrir quaisquer perdas que essa última possa ter seja mais digna de críticas do que a sobretaxação de impostos. Mas estou só usando o seu exemplo. Bons resultados em IDH vêm de políticas oriundas (ou moribundas) do welfare-state, índice de Gini nem sempre segue essa lógica. Mesmo porque a lógica para o cálculo deles é diferente e não integrada.

“Economia mista” só pode ser solução se resguardados os pontos estratégicos ressaltados acima. O Estado brasileiro, com os partidos que têm real acesso ao poder, já se prostituiu ao que se denomina “iniciativa privada”, fachada para os interesses do capital especulativo (capital não produtivo em essência, capital vampiro, aquele que é impedido, por exemplo, de entrar na China, ou se entra fica e se fica não é especulativo). O caminho do meio é possível no budismo, no taoísmo e em muitos lugares, admitindo que a dicotomia yin-yang (preto-branco, bom-mau, Estado-Mercado) envolvida seja formada por dois pólos de igual força, para equilibrarmos o movimento e o fluxo dos interesses envolvidos.

No caso do Brasil, o Estado está completamente prostituído em nome dos interesses do Mercado, e é impossível que ele possa balizar uma relação do tipo “caminho do meio”, se ele não se constitui como uma das “margens do rio”. Dentre o fluxo dos processos do estado brasileiro deveria haver – na hipótese de um “caminho do meio” – uma margem estatal e uma margem privada, acontece que na nossa realidade (mais complexa que a metafísica taoísta ou budista) as duas margens estão tomadas respectivamente por “Estado-Capital” e “Capital-Capital”, e a relação de equilíbrio não pode se estabelecer assim. Nem na metafísica, muito menos na realidade.

Renato Kress é carioca. Sociólogo com habilitação em ciência política e antropologia (PUC-Rio). Treinador de empresas. Diretor do Instituto Atena. Coordenador de conteúdo da revista eletrônica www.consciencia.net. Escritor e contista.

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