Direção

Muitas vezes tenho me perguntado –e continuo a me perguntar—o que fazer na atual conjuntura nacional, para colaborar, de maneira ativa e efetiva, com o restabelecimento da ordem constitucional e com a vigência plena dos Direitos Humanos.

Creio que muitas pessoas por este imenso Brasil aí afora, devem estar se perguntando isto mesmo, e dando a si mesmas, tal ou qual resposta.

Da minha parte, compreendo que a ação em prol de uma sociedade mais autônoma (menos tutelada pelo estado, as corporações, o dinheiro) envolve participação em atividades educativas contínuas, uma formação permanente, integração em coletivos comunitários de diversa escala, grupos cara a cara.

Entendo que têm havido, desde 2013, uma atividade perversa de dissolução da ordem democrática, sob o pretexto de “tirar o PT do governo.” Para alcançar esta finalidade foram atacados e continuam sendo atacados os direitos humanos, sociais e laborais e também têm se corroído a base mesma da sociedade: a confiança mútua, a esperança num amanhã melhor, a possibilidade da pessoa vir a fazer parte da coletividade.

Neste contexto, além de reforçar a ação dos movimentos e organizações que já estão mobilizados, é preciso uma ação mais micro, no seio das famílias, nos círculos de amizade e vizinhança, na vida cotidiana, no sentido de valorizar o contato humano (tão mediado pelas chamadas “redes sociais”) além das preferências partidárias ou opções ideológicas, exacerbadas para rachar a cidadania.

Voltar a ações mínimas, o bom trato, o bom dia e boa tarde, muito embora isto possa parecer uma banalidade, uma vez que tentam nos convencer de que o eixo da nossa vida deva ser manter ou derrubar este ou aquele governo. Esta é uma cantilena antiga. O dia a dia é o espaço de realização, o lugar onde de fato existimos realizamos as nossas esperanças ou as vemos fraquejar, alcançamos nossos sonhos ou o ver como se vão afastando, cultivamos a nossa imaginação e criatividade, ou vamos nos tornando meras marionetes dos ditames de “alguém.”

Sempre insisto na importância de prestar atenção a essa fresta apenas perceptível em que consiste o existir. Uma fragilidade ao mesmo tempo poderosa, porque assentada na estrutura do universo. É o olhar para si mesmo ou si mesma, a focalização na própria história de vida, nos valores que nos sustentam e orientam, o recurso à energia que brota das capacidades que adquirimos a partir das carências vivenciadas. Resiliência, em uma palavra.

Isto nos faz humildes, nos abre para as demais pessoas, nos faz saber que sem os outros, não somos nada, e que juntos somos invencíveis.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *