Diabetes Mellitus. Vamos falar sobre?

Quando Alfredo recebeu a noticia que já não seria possível ver a luz para o resto da vida, a principio lhe brotou um desejo de resistência. Como seria possível aos 52 anos não enxergar? O que de mal ele havia feito para o mundo para receber merecido castigo? Pois bem, a realidade foi que deixar de escutar os conselhos de seu médico o fez pagar caro com sua própria  saúde. Quando o doutor lhe dizia que não deveria comer alimentos ricos em açúcar e nem carnes muito gordas, ele dizia que isso eram conversas de consultório que o médico queria somente provocar impacto nas pessoas. Acontece que a Diabetes Mellitus já havia se apossado de seu corpo e os níveis glicêmicos estavam acima do normal. As complicações foram se instalando lentamente até que a retinopatia, uma das complicações da doença, lhe havia acometido o olho e, o  recente avô e catedrático professor doutor do pedaço não iria enxergar.  Este era  apenas o começo de grande um problema de saúde que havia chegado para ficar.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking dos países com o maior número de casos de Diabetes Mellitus, ficando atrás de China, Índia e Estados Unidos. O Rio de Janeiro aparece como a capital brasileira com maior prevalência de pessoas portadores da doença.  Entre os anos de 2000 a 2016 a taxa de mortes  aumentaram mais de 50% saindo de quase 1 milhão para 1,6 milhões em todo o mundo.

A Diabetes Mellitus é uma doença crônica, atualmente ainda sem cura, que está relacionada ao aumento da taxa de glicose sanguínea devido a uma alteração no pâncreas que diminui ou deixa de fabricar a insulina (hormônio responsável para manter os níveis de açúcar no sangue normais).

Existem dois tipos clássicos da doença. A Diabetes Mellitus tipo I onde apenas 10 % da população a padece. Manifesta-se em crianças e adolescentes onde, o individuo deixa produzir a insulina por autodestruição irreversível das células Beta do pâncreas. Estas pessoas necessitam receber o hormônio em forma de medicamento para o controle das taxas de açúcar no sangue. Por outro lado esta a Diabetes tipo II comumente aparece após os 30 anos de idade com predomínio em pessoas idosas e obesas. Neste caso, o pâncreas diminui a produção hormonal de insulina, sendo necessário a utilização de medicamentos orais (não necessariamente a insulina) para o estimulo da  fabricação do hormônio. Entre os fatores de risco para a doença, estão a idade, hereditariedade, onde deve-se observar que pais e/ou avós diabéticos, os filhos poderão manifestar a doença, a obesidade, o  sedentarismo e a má alimentação.  Entre as complicações que podem acometer uma pessoa portadora da doença  com um mal controle dos níveis glicêmicos estão o acidente vascular cerebral, o infarto do coração, a retinopatia diabética com a cegueira sem cura, a nefropatia diabética que com evolução, chega  a necessidade do transplante de rim ou a hemodiálise  faz parte do compendio bem como o temido pé diabético que leva a destruição dos tecidos do pé afetado pela neuropatia e vasculopatia diabética com a possível amputação conseqüente.

Para o tratamento diário da diabetes, o objetivo é estabilizar a doença. Eu costumo dizer que devemos utilizar o exemplo da mesa com as suas quatro pernas. Se retirarmos uma das pernas, corremos o sério risco da mesa desestabilizar e cair com tudo que está encima. Ilustrando poderíamos descrever da seguinte forma. A tampa esta conformada pelo nome Diabetes Mellitus. A primeira perna seria a dieta onde a recomendação para o paciente é de diminuir a ingestão de alimentos gordurosos e açucares de fácil digestão como o caso do refinado. Em seu lugar poderia ser escolhido frutas e os adoçantes.  Vale lembrar que não é recomendável que a pessoa portadora da diabetes fique varias horas sem se alimentar, uma vez que os medicamentos estimulam o consumo dos açucares levando a pessoa a hipoglicemia com baixas taxas de glicose. Um sério problema de saúde que pode induzir ao coma e a morte.

A segunda perna da mesa estaria relacionada aos exercícios físicos aeróbicos ,com  sua pratica regular de no mínimo 30 minutos três vezes por semana. A terceira está relacionada ao uso dos medicamentos. A pessoa que utiliza os medicamentos prescritos pelo médico, deve tomá-los de forma rotineira com o prejuízo de sofrer as complicações da doença por descompensação e até mesmo a morte. Um ditado válido: “esqueceu, morreu”.

Por ultimo e, não menos importante está a quarta perna da mesa que é a de evitar o estresse. Estudos relatam que os estresses físico e psicológico está associado ao aumento das cifras de açúcar no sangue devido ao aumento da produção metabólica. O estresse físico também pode predispor ao aparecimento de doenças oportunista como, por exemplo, as infecções de urina na mulher diabética e a Candidíase (doença de origem fúngica que leva a infecções nos tecidos do corpo). Também sabemos que a ansiedade é uma doença de alta incidência no século 21 e, que se não cuidada pode afetar diretamente os pacientes diabéticos que a manifestem. Vale o ditado: “é melhor um covarde vivo que um corajoso morto.”

Enfim, evitar o adoecimento por diabetes e impedir as complicações nos portadores, é a melhor opção  e recomendação médica. Alfredo é um dos múltiplos casos que se tivesse uma escuta ativa aos conselhos médicos e cuidado mais de seu corpo, provavelmente não teria sofrido serias complicações irreversíveis ou, as prolongado. Cuidar-se sempre será uma grande opção para que possamos cumprir nossa estadia no planeta com a melhor forma física e psicológica possível.

Referencias:

  1. OPAS- Brasil; 10 principais causas de morte no mundo. Disponivel em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5638:10-principais-causas-de-morte-no-mundo&Itemid=0
  2. Infoescola: Diabetes Mellitus. Disponível em: https://www.infoescola.com/doencas/diabetes-mellitus/
  3. Lyra; Ruy e cols. Prevenção do Diabetes Mellitus Tipo 2. Arq Bras Endocrinol Metab vol 50 nº 2 Abril 2006.
  4. Gusso,Gustavo; Ceratti, J. M L; Tratado de Medicina de Família e Comunidade; Artmed 2012; capítulo 162.

Brasileiro, Casado. Médico formado pela Escola Latinoamericana de Medicina (ELAM), Havana, Cuba. Atua como médico residente de Medicina de Familia e Comunidade na Secretaria de Saúde de Sinop (MT). É professor de medicina na Universidade Federal de Mato Grosso, locutor de Saúde com quadro semanal, palestrante e músico.

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