Depoimentos da guerra civil brasileira: documentário sobre o massacre de Pinheirinho

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Documentário que denuncia os mortos escondidos e ouve diretamente dos moradores de Pinheirinho sobre os fatos ocorridos em 22 de janeiro de 2012. Há um trecho importante sobre a questão da cobertura da mídia.

Pedro Rios Leão, o autor, comenta: “O Governador do Estado de São Paulo, o Prefeito de São José dos Campos, o Tribunal de Justiça de São Paulo, toda a força policial, tanto da PM paulistana presente, quanto da Guarda Municipal, a direção inteira do hospital municipal de São José, a mídia, em particular a Rede Globo, que escancaradamente foi o veículo oficial do Governo Paulista, TODO O CORPO JURÍDICO ENVOLVIDO NA REINTEGRAÇÃO DE POSSE, incluindo o ministro César Peluso, o Ministro Gilberto Carvalho, o ministro Eduardo Cardozo, todos, TODOS agindo a mando de Naji Nahas.

A lista de assassinos de Pinheirinho não tem fim. Parem de procurar apenas UM culpado! REVOLTE-SE. Exija a justiça que nos é negada todo dia! Pelo fim do domínio dos banqueiros. Juntos nós podemos.”

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UMA AUTÊNCIA BARBÁRIE. Matéria da Record News faz um panorama da situação. “Isso aqui é a autência barbárie“, afirma o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São José dos Campos, Aristeu Neto.

“A polícia militar do Estado de São Paulo foi convocada para uma operação de guerra, e guerra contra o povo que não tem moradia. Então um problema social de moradia está sendo enfrentado a bala, a bomba, a violência de cacetetes. E com a demolição de casas, ao invés da construção. É uma contradição aberta.”

Claramente, muitos bens ainda estavam lá dentro. “É um crime com o ser humano, com o trabalhador, com o pobre”, afirma uma mulher chorando.

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DENÚNCIAS DE TORTURA E DESAPARECIMENTOS. Depois do violento despejo da favela Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), a reportagem do jornal A Nova Democracia visitou alguns dos abrigos onde milhares de ex-moradores encontram-se alojados.

Na igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, milhares de desabrigados compartilham um pequenos espaço onde comida, água e banheiro são escassos. Dentre as pessoas que estavam no local, muitas procuravam notícias de parentes desaparecidos durante o despejo.

Importantíssimo ouvir o relato das pessoas. Não consigo dormir bem desde domingo 22. Trabalho com direitos humanos há mais de 10 anos e admito que poucas vezes vi cenas tão fortes. Reportagem de Patrick Granja.

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‘QUEM APANHA LEMBRA’. O excelente texto é de Carlos Latuff: “Penso em Adolf Eichmann e a tranquilidade com que descrevia o processo pelo qual deportou milhares para campos de concentração. Aquilo era para ele tão somente um ato administrativo. Nem a juíza Márcia Faria, nem Naji Nahas, nem o prefeito de São José dos Campos Eduardo Cury ou o governador de São Paulo Geraldo Alckmin se dispuseram a visitar a ocupação, já que seus moradores não são ninguém, não são nada além de um estorvo, um obstáculo ao império da ordem e da indústria imobiliária.”

“Milhares de almas jogadas na rua, sem qualquer remorso ou compaixão, em favor de alguém que, diferente dos moradores do Pinheirinho, não precisa trabalhar para viver, sustenta-se através da falcatrua, da corrupção, das amizades influentes. Os moradores ficaram sem lar, mas os que os despejaram, voltaram para o conforto de suas casas.”

Leia aqui na íntegra.

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MÃES DE PINHEIRINHO. Depoimento das mães depois da desocupação do Pinheirinho.

Se você acha que algumas dessas pessoas são “vagabundas” e merecem sofrer represálias você precisa rever seus conceitos.

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JURISTAS VÃO À OEA POR PINHEIRNHO. Um documento assinado por cerca de 200 pessoas – procuradores de Justiça, promotores, juízes e professores universitários – pede que a ação de reintegração de posse do Pinheirinho, em São José dos Campos, seja denunciada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

O manifesto publicado na internet afirma: “A conduta das autoridades estaduais contrariou princípios básicos, consagrados pela Constituição e por inúmeros instrumentos internacionais de defesa dos direitos humanos, ao determinar a prevalência de um alegado direito patrimonial sobre as garantias de bem-estar e de sobrevivência digna de seis mil pessoas.”

Segundo o procurador do Estado e organizador do manifesto, Marcio Sotelo Felippe, a partir da denúncia a Comissão Interamericana de Direitos Humanos pode condenar o Estado brasileiro e determinar medidas de reparação dos danos causados às famílias desalojadas.

“Agora não basta dar uma casinha para as pessoas. A violência já foi feita. O dano moral e a grave violação dos direitos humanos foram praticados, então a indenização tem que ser muito mais ampla do que o governador colocar as pessoas na listinha da CDHU”, afirmou Felippe.

Assine a petição clicando aqui.

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RELATORA DA ONU VÊ VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS. A avaliação é de Raquel Rolnik, Relatora Especial da ONU sobre o direito à moradia adequada, em entrevista à Folha: “(…) Nenhuma remoção pode ser feita sem que a comunidade tenha sido informada e tenha participado de todo o processo de definição do dia da hora e da maneira como isso vai ser feito e do destino de cada uma das famílias. Tudo isso foi violado. Já violado tudo isso, de acordo com a legislação da moradia adequada, tem que fazer a relação dos bens. Remoção só deve acontecer em último caso. Isso foi absolutamente falho.”

“A situação atual das pessoas despejadas é extremamente preocupante. Sem alternativas de habitação, elas estão vulneráveis a outras violações de direitos humanos”, afirmou Rolnik no comunicado da ONU lançado nesta sexta 27.

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MINISTRO FALA EM ‘TERRORISMO’. O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou nesta sexta-feira (27) que o governo paulista praticou “terrorismo” na desocupação da favela do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP).

“Lamento muito que se tente tergiversar a realidade. A realidade o Brasil todo mundo viu: militares violando os direitos daquelas pessoas, o terrorismo para cima daquelas pessoas”, disse, em relato da Folha online.

O ministro confirmou que a presidente Dilma Rousseff classificou a ação policial como “barbárie”, em reunião com organizadores do Fórum Social Temático em Porto Alegre.

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TRUCULÊNCIA DE CAPANGAS DE ALCKMIN. Gravado por um celular de um morador do Pinheirinho, no domingo 22.

E o ataque no alojamento cedido pela própria Prefeitura. É covardia mesmo. É a barbárie.

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Arte contra a opressão.

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Desalojados pelo Estado em PinheirinhoAPOIE PINHEIRINHO. O MUST (Movimento Urbano Sem-Teto) do Pinheirinho está fazendo uma campanha de arrecadação de fundos, em solidariedade às milhares de famílias desalojadas de suas casas pela ação violenta da PM e omissão dos governos.

Saiba como ajudar clicando aqui.

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LÁ ONDE EU MORAVA. Uma pequena homenagem às famílias do Pinheirinho que foram violentamente expulsas de suas casas.

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