De golpe em golpe

downloadHá algumas lembranças que é melhor não evocar. A semelhança, no entanto, chama o que se assemelha.

Entre os anos 1966 a 1983, na Argentina, foi executada uma política de combate e extermínio aos diferentes. As pessoas que escapavam de padrões de “aceitabilidade,” vindos, obviamente, das classes dominantes.

Então, eram os comunistas, os atores de teatro, os humoristas, os jornalistas envolvidos numa perspectiva popular, operários e estudantes, sacerdotes católicos e cristãos de outras denominações, que praticavam um agir de acordo com padrões de solidariedade, autenticidade e respeito às diferenças.

A política do terrorismo de estado é de uma natureza tal, que intimida mesmo. A morte intimida, verdadeiramente. E a morte que se praticava desde o estado, em todos esses anos, era de arrepiar. Tortura, sequestros, desaparições.

Não tinha advogado nem juiz que pudesse evitar que você, se tinha a infelicidade de estar na mira dos algozes, escapasse. Hoje, aqui, no Brasil, muitos anos depois, exatamente 40 anos depois de iniciado o golpe de Videla, a história se repete, embora de outra maneira.

Juízes e advogados, deputados e jornalistas, executam uma minuciosa tarefa de aplainar consciências, uniformizar o pensamento e as atitudes. Rachar a sociedade brasileira em campos antagônicos, para melhor dominar. Quem vai ganhar?

Quem vai se beneficiar com este golpe no Brasil, em 2016? Agora, é um exército de zumbis que sai à caça dos diferentes. Batem em quem veste roupas vermelhas. Xingam a presidenta da república por ser mulher. Agridem índios e negros nas universidades.

Elogiam a tortura no parlamento, com o silêncio cúmplice de deputados e juízes, que não vêem nada. Você acha que olhar em outra direção irá salvar o seu pescoço? Não tenha tanta certeza. A sua vida não vale nada, embora você possa pensar que por você estar do lado dos fascistas, possa ter alguma garantia.

Você vai ser jogado fora, jogada fora, quando não servir mais. Aí seus plim plim anti-Dilma e anti-Lula, anti-PT e antidemocracia, já não serão ouvidos por mais ninguém.