Daniel Dantas é o alvo

O banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, afirmou nesta quarta 21 que o dinheiro repassado pela operadora Telemig às agências de publicidade do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza foi gasto em publicidade, informou a FOLHA ONLINE. Um dos objetivos das CPIs é saber a respeito de R$ 145 milhões em repasses feitas empresas controladas por Dantas para as agências SMPB e DNA, de Valério.

Dantas também justificou o volume de repasses feito pela Telemig, continua a FOLHA, por dois motivos: primeiro, lembrou que a agência somente fica com 10% do volume total que recebe, já que o resto é dirigido para pagar espaço publicitário em jornais e televisão. Depois, disse que o ritmo de repasses foi regular, e somente aumentou em 2004 devido à “migração tecnológica”. Nessa época, a Telemig começou a comercializar aparelhos de telefonia celular do tipo GSM, em substituição à tecnologia mais antiga, a TDMA. Dantas afirmou que essa migração poderia acarretar perda de clientela, o que justificaria o aumento dos gastos com publicidade.

Segundo O GLOBO da quinta 22, Dantas afirmou ainda que desde que o consórcio coordenado pelo Opportunity comprou a Brasil Telecom (BrT), em 1998, a empresa enfrenta pressões políticas. No atual governo, segundo Dantas, as pressões partiram do ex-ministro Luiz Gushiken e do ex-presidente do Banco do Brasil Cássio Casseb. No governo Fernando Henrique, a ingerência viria do Ministério das Comunicações e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o que teria forçado a BrT a pagar R$ 200 milhões a mais pelo controle da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), em 2000.

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) acusou o banqueiro Dantas de manter relações com integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso, citando sua antiga sociedade com Pérsio Arida (um dos formuladores do Plano Real) e uma suposta sociedade da irmã do empresário, Verônica Dantas, com Verônica Serra (filha do prefeito José Serra). O deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) ficou furioso e fez ameaças de retaliação, transparecendo que pretende partidarizar as investigações na CPI.

A FOLHA faz um histórico de Dantas, leia alguns trechos:

“(…) Ligado ao PFL, aproximou-se do senador Antonio Carlos Magalhães por indicação de Mário Henrique Simonsen. Foi conselheiro do partido e do governo federal nas sugestões para tentar salvar o banco Econômico. Durante dez anos, foi sócio do também baiano Nizan Guanaes na agência de publicidade DM9. Dantas fez doutorado no Massachusets Institute of Technology, nos EUA. De volta ao Brasil, empregou-se no Bradesco.”

“(…) Em 1998, Dantas esteve no centro das investigações sobre suspeitas de favorecimento na privatização de empresas do Sistema Telebrás. Em maio de 1999, começaram as divergências com os sócios Telecom Italia e os fundos de pensão. Os italianos achavam que os acordos da fundação da sociedade eram lesivos a seus interesses. Em 2000, sócios e fundos de pensão estatais entraram na Justiça contra o Opportunity, por supostas manobras societárias.”

“(…) No ano passado, a Brasil Telecom – controlada até então por Dantas – foi acusada de contratar a Kroll para espionar a Telecom Italia. As investigações teriam extrapolado o mundo empresarial, atingindo figuras do governo federal. Dantas negou que tivesse pedido à Kroll a violação do sigilo telefônico de pessoas. Em setembro, o procurador da República Luiz Francisco de Souza ofereceu ação de improbidade administrativa combinada com ação civil pública contra o Opportunity e Dantas. A Comissão de Valores Mobiliários multou o Opportunity por burlar regras do Banco Central ao admitir brasileiros num fundo de investimento estrangeiro nas ilhas Cayman.”

Quem melhor acompanha a trajetória do banqueiro é a revista CARTA CAPITAL.

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Revista diária fundada em 13 de maio de 2000.

Seções: Opinião.