Da série “Por que o Rio não é pra fracos”

Estava eu no Cosme Velho com destino ao Largo do Machado, quando decido pegar um ônibus. O serviço é muito ruim, mas é um trecho pequeno. Peguei o 422.

Em um espaço de alguns poucos quilômetros, o motorista correu tanto que o Renato Kress, que estava ao telefone comigo, deve ter pensando: “Ah, é o Gustavo, ele deve estar em um jipe no interior do Afeganistão tentando achar o Bin Landen”.

Não. Era o 422. Naqueles dias. Cheguei ao Largo do Machado, mas meu estômago ficou, assustado, escondido atrás da orelha do Cristo Redentor.

Lá embaixo, pensei: um cineminha? Não, melhor voltar para casa. Nisso, poucos minutos depois, um homem entra em uma sessão, atira gás de pimenta e foge. E acabou aí a história. É só isso mesmo.

Ok, vou de metrô. Melhor, né? Melhor. Quando para na Central, começa a sair fumaça. Muita fumaça. Susto geral. Os motores e as luzes desligam.

Alguns minutos depois, o funcionário do metrô — que nos tem, todos, como otários — diz que está tudo bem, que “nada aconteceu”. Sai fumaça do metrô, que perde energia, mas tá tudo bem. Entrem de volta no vagão: Coelho Branco, Chapeleiro maluco e Alice. Todos de volta, por favor, que a viagem não pode parar.