Curitiba: Servidores protestam, PM reprime e vereadores aprovam ‘pacote de maldades’

Manifestantes foram atacados com bombas lançadas de helicóptero. Pacote do prefeito Greca foi aprovado por 27 a 10. Trabalhadores se reúnem para definir próximos passos contra as medidas

Servidores municipais de Curitiba que protestam contra cortes de direitos que fazem parte do pacote de ajuste fiscal proposto pelo prefeito Rafael Greca (PMN) foram reprimidos pela Polícia Militar nesta segunda-feira (26). Ao fim da manhã, a Lei de Responsabilidade Fiscal Municipal, que altera o cálculo do teto de gastos com o funcionalismo, dentre outras medidas, foi aprovada com 27 votos a favor e 10 contrários. Antes, o teto de 3,9% incidia sobre a receita bruta e agora passa a valer sobre a receita líquida, achatando futuros reajustes dos servidores.

A votação do chamado “pacote de maldades” foi transferida do prédio da Câmara Municipal, “por questões de segurança”, para a Ópera de Arame, conhecido cartão-postal da capital paranaense, que foi cercada por forte aparato policial.

A repressão ocorreu quando manifestantes derrubaram uma das barreiras que cercavam o local. Os policiais atiraram bombas de gás, balas de borracha e spray de pimenta, utilizando até a cavalaria contra os manifestantes. Ao menos seis pessoas ficaram feridas.

A presidenta da CUT-PR, Regina Cruz, denunciou o alinhamento entre Greca e o governador Beto Richa (PSDB) e os excessos cometidos pela repressão. “Teve muita bomba de gás. Só tinha professores e servidores, com 90% das categorias formadas por mulher.”

“Tem gente machucada lá fora, com helicóptero jogando bombas”, denunciou também a vereadora Professora Josete (PT), que se retirou da sessão ao saber das cenas de repressão. Na semana passada, duas tentativas de votar o pacote terminaram em violência contra os manifestantes. Ela afirmou que os trabalhadores devem realizar assembleia na parte da tarde para decidir as próximas ações de resistência depois da aprovação.

A proposta reúne 12 medidas de ajuste fiscal sob a justificativa de conter a crise econômica na cidade. Sindicatos e trabalhadores, porém, apontam que grande parte do plano afeta diretamente os direitos dos servidores municipais e da população, enquanto preserva os privilégios dos grandes empresários.

“Em sete dos 12 projetos verifica-se o ataque direto aos direitos dos trabalhadores e à população da cidade. Greca prevê o aumento da cobrança de impostos e taxas justamente sobre a parcela dos trabalhadores que ganham menos”, aponta o diretor do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba Wagner Argenton.

Fonte: Rede Brasil Atual
http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2017/06/servidores-de-curitiba-protestam-pm-reprime-e-vereadores-aprovam-pacote-de-maldades-em-curitiba

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