Crescendo

bambooRecebí agora há pouco, o texto de Rubem Alves, “Milho de pipoca”. O texto já era conhecido, ao menos de maneira intelectual, uma vez que é usado no contexto dos cursos de formação em Terapia Comunitária Integrativa e Cuidando do Cuidador. No entanto, desta vez ele me chegou. Por algum motivo, ao invés de lê-lo como quem já sabe, ele me atingiu.

Percebi como a sabedoria da vida tem os seus caminhos. A pessoa pode se tornar o que ela é, graças à dor. A dor pode ter tido um papel muito importante no meu crescimento, no processo de eu me tornar quem sou. Isto não significa que eu tenha nascido para sofrer, como diz Adalberto Barreto. Mas a dor pode servir para meu crescimento, desde que eu tenha a humildade para aprender. Fiquei pensando nestas coisas, e decidi vir para o papel.

Quem já se sentiu traído? Quem sofreu com as dores do abandono? Quem já foi abusado? Lembrei de muitos momentos em que ouvi estas perguntas, feitas por Adalberto Barreto, no meio a estes cursos de que falava. Tudo isto pode ter me ajudado a me tornar quem sou. Todas estas dores certamente tiveram algo a ver com o fato de eu ser agora a pessoa que sou. Não é, repito, que eu ou você ou todos nós, tenhamos nascido para sofrer.

Mas já que a dor existe, já que a dor veio e está em muitos momentos da nossa vida, podemos tentar aprender com ela. Fiquei pensando quantas vezes me senti vítima da traição, abuso, violência, medo, injustiça. Isto gerou em mim muito rancor, raiva, desejo de vingança. Hoje posso olhar para a minha história de vida desde uma outra perspectiva.

Posso perceber como estas e outras dores passadas e presentes, me unificam com o processo de eu vir a ser a pessoa que sou. Percebo que toda essa merda, todo esse sofrimento, é de fato um estrume, um adubo, um alimento, se eu souber aproveitá-lo, ao invés de me transformar em uma pessoa amargurada e ressentida.