CPI do Tráfico de Pessoas e CNBB decidem trabalhar em parceria

coutoIntegrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o tráfico de pessoas no país e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se reuniram quarta-feira (12), em Brasília.

Um dos assuntos em pauta foi sobre a união entre CPI e CNBB, que aborda na Campanha da Fraternidade deste ano o tema ‘Fraternidade e Tráfico Humano’ e lema ‘É para liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5,1).

O deputado federal Luiz Couto (PT-PB), que é vice-presidente da comissão e participou do encontro, lembrou que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o tráfico de pessoas movimenta anualmente 32 bilhões de dólares em todo o mundo. “Ou seja, está entre um dos crimes mais rentáveis do planeta que envolve crianças, adolescentes e adultos de ambos os sexos”.

O parlamentar informou as principais rotas do tráfico humano no Brasil. “Região Norte 76 rotas; Nordeste 69; Sudeste 35; Centro-Oeste 33; Sul 28”. Esses dados, acrescentou Couto, mostram que as rotas se destinam primeiro ao tráfico para trabalho escravo; segundo para exploração sexual, prostituição e pedofilia; terceiro à venda de órgãos humanos; e quarto à adoção ilegal, “crime que tem crescido muito”.

Presidente da CPI, Arnaldo Jordy (PPS-PA), afirmou que “as igrejas em geral, não só a Igreja Católica, têm um grau de capilaridade na sociedade brasileira que é muito importante em campanhas dessa natureza, que dependem fundamentalmente da informação e da prevenção do que da ação punitiva do estado”.

Já o secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, destacou que a Campanha da Fraternidade pretende mostrar as diferentes faces dessa atividade criminosa. “Planeja, ainda, incentivar as denúncias e a reflexão sobre a reinserção social das pessoas resgatadas do tráfico”.

Parceria

A CNBB vai ajudar a divulgar, nas igrejas católicas de todo o Brasil, os casos de tráfico de pessoas que chegaram à comissão. O objetivo da parceria é alertar os fiéis para o fato de que o tráfico de pessoas realmente existe, e fazer com que as famílias saibam se prevenir, evitando que se tornem vítimas do crime.

Na audiência também estiveram a relatora, deputada Flávia Morais (PT-GO), o presidente da CNBB, dom Raimundo Damasceno, além de assessores da CPI.