Corrupção sistêmica

Não creio que o governo Lula tenha sido o responsável por consolidar a corrupção sistêmica no Brasil, como afirmou o ex-presidente FHC, nesta terça-feira (23/8), em São Paulo, somando-se ao coro de ex-intelectuais de esquerda que, com razão, gritam raivosos em suas crônicas nos jornais de maior circulação do país.

Penso de outra forma: Lula, em realidade, foi, possivelmente, o primeiro presidente a formalizar (e naturalizar), junto à mídia – cuja cobertura política é, cada vez mais, intensa, o que também contribui para o sentimento de que a corrupção é, hoje, mais recorrente –, o papel da corrupção na vida política brasileira, pecando, assim, pela sinceridade, mas ganhando força por não comprometer nenhuma figura política de peso.

Claro está que, se considerado que o que não sai na imprensa praticamente não existe, a postura do ex-líder petista diante dos inúmeros casos de mal uso de verbas públicas foi, de fato, um atestado de que o aparelhamento do Estado é integralmente baseado em interesses pessoal-partidários (o serviço ao cidadão é irrelevante) e que isso, por mais repugnante, não é menos que o retrato do modus operandi de Brasília.

Mas o que Lula provocou é bem diferente de consolidar um sistema como o que, há 500 anos, é programado para favorecer interesses oligárquicos, burgueses ou seja lá como se deve se referir, atualmente, às privilegiadas camadas da população que detêm a propriedade de meios concretos e abstratos de produção cultural e material.

O que o ex-presidente fez não teria a força de estabelecer práticas como as que estão sendo deflagradas pela PF nas últimas semanas. Tampouco de abrir a porteira para a corrupção, ao instigar um sentimento de impunidade entre os engravatados do Congresso Nacional. Tais problemas são, exclusivamente, consequência de uma superestrutura montada ao longo da história de um país de raízes coloniais que, desde seu nascimento, foi acompanhado pela promiscuidade.

O Brasil nasceu vendido duas vezes: primeiro, logo quando de seu descobrimento, por estar comprometido com o fornecimento de seus recursos naturais à metrópole (a troco de nada). Depois, em sua independência, quando foi obrigado a pagar à Inglaterra para ter sua soberania reconhecida – em consequência de dívidas econômicas e políticas de Portugal para com os britânicos.

Portanto, responsabilizar um governo ou representante político em particular pela institucionalização da corrupção no país será sempre uma asserção leviana. Se não respondemos, hoje, a metrópoles, ainda sofremos as agruras de uma estrutura política projetada para beneficiar aqueles que estão no poder, estando, por isso, sujeitos ao fisiologismo absoluto. Nesse meio, Lula não passa de um mero coadjuvante.

Em tratamos a historia com descaso seremos o pais aonde cidadão honesto é o otário que vive com medo atras das grades de um portão de aço com cerca de arame farpado vigiado por câmeras, quem é você que vai sem saber se volta?

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