Conversa, sexta feira, 11 de julho de 2014

fotoA Igreja latina celebra hoje a festa de São Bento. Aqui no Brasil, o povo simples o reconhece como “padroeiro contra mordidas de cobra” e mais nada. De fato, a Europa o tomou como padroeiro porque, na época em que o império romano caía, foram os mosteiros beneditinos que serviram de referência para a civilização ocidental e puderam ajudar as pessoas a viverem em paz e como comunidade. Hoje, quando vemos novamente o mundo em uma crise profunda e estrutural, seria importante que as comunidades monásticas pudessem oferecer um outro paradigma de convivência e de meta a alcançar na vida que não seja apenas produzir e consumir.

Espero que os mosteiros superem a tendência de se constituírem como mundos à parte e aceitem se abrir ao povo de Deus e serem o que São Bento propôs na regra: “escolas do serviço do Senhor” e oficinas da arte espiritual para o mundo, para as pessoas de fora e não só para os monges e monjas que vivem dentro dos muros da clausura.

Sinto que a proposta que o papa Francisco vem fazendo de que a Igreja deve ser uma Igreja em saída pode e deve também ser o ideal dos mosteiros, serem comunidades em saída ou seja em êxodo pascal… Que aceitem evoluir e não se fechem em seus costumes antigos como se fossem museus. Que se abram ao diálogo com a humanidade e possamos juntos todos construirmos um novo mundo possível. Penso que essa é a forma como os monges vivem sua vocação escatológica, sou seja, de testemunhar o reino de Deus que vem, aqui e agora.