Congresso Continental de Teologia, ainda

Hoje é o meu último dia nesse Congresso de Teologia que termina amanhã à tarde, embora eu deva viajar já pela manhã. Minha avaliação é muito positiva apesar de algumas críticas que tenho ao modo de organização do congresso e a alguns pontos específicos.

1o – Agradeço à Amerindia o fato de nos reunir de todo o continente e nos possibilitar trabalhar juntos um tema e um tema como esse do Espírito Santo, claramente pouco trabalhado na América Latina.

2o – Fico contente de ter encontrado toda uma geração de teólogos e teólogas jovens e alguns com clara disposição de trabalhar e de levar adiante a bandeira da Teologia da Libertação. Quero cada vez mais trabalhar em diálogo com eles e elas, ao menos até que Deus me dê forças para trabalhar.

3o – Gostei do clima de liberdade de se dizer o que se quer e de ser respeitado em sua peculiaridade.

Pessoalmente, lamento alguns pontos que prefiro não colocar aqui antes de falar com os responsáveis. Não seria justo publicar a crítica antes de dizer diretamente a eles.

Para os próximos congressos, sugiro que a Amerindia e os organizadores do congresso se esforcem por fazê-lo mais ecumênico e aberto ao diálogo com outras culturas e religiões. E também se fosse possível, uma participação maior de jovens e de pessoas de base em diálogo com os/as teólogos/as.

Desde ontem, venho sofrendo com as notícias de jornal que mostram que por causa de uma delação imprecisa e extremamente confusa, meu irmão Gilberto Carvalho vê seu nome envolvido em uma suspeita de ter recebido propina na época em que era chefe de gabinete do presidente Lula. Sei que ele está sofrendo muito, até por causa de seus filhos, de certa forma expostos a humilhações injustas e totalmente gratuitas. Mandei hoje para ele a mensagem que publico aqui e que se alguém de vocês quiser, copiem e subscrevam também:

Gilberto, querido irmão,

“Bem- aventurados (felizes e abençoados por Deus) são vocês, quando forem injuriados e perseguidos por pessoas que, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vocês por minha causa (pela causa do reino, isso é, pela causa da verdade e da justiça). Alegrem-se e fiquem contentes, porque será grande a recompensa de vocês em Deus. Lembrem-se de que, do mesmo modo, eles perseguiram os profetas que viveram antes de vocês” (Mateus 5, 11 – 12).

Aqui, do meio do Congresso de Teologia da Amerindia em Belo Horizonte, fico sabendo que, nesses dias, você está vivendo na carne e dolorosamente essa bem-aventurança. Sei que não é fácil e principalmente porque os adversários fazem isso de um modo que atinge você e todos os seus, (filhos e família). Ainda bem que, em toda a sua vida, você conseguiu ampliar de tal forma a sua família que nos sentimos atingidos e feridos, todos nós que o estimamos como irmão e mais ainda que um irmão de sangue. Seus filhos e filhas sabem que você está acima de toda essa lama. Sempre lutou por um Brasil mais justo, plantado no direito e não em delações fáceis e levianas, facilitadas por um sistema policial e de investigação viciado por ódios e interesses venais.

Qualquer um de nós que o conhecemos mais de perto pode testemunhar que se no Brasil existe alguém íntegro e que se manteve fiel ao seu primeiro amor (sua primeira opção de vida e justiça) é justamente você. Isso não diminui a dor sofrida pela injustiça cometida e pelo engodo publicado de forma irresponsável e criminosa. No entanto, se alvejam a você é porque você é uma referência de integridade importante e forte que se coloca no caminho deles como obstáculo para os seus objetivos destruidores. E, graças a Deus, você é um homem de fé, profundamente alicerçado no seguimento de Jesus de Nazaré, como discípulo.

Nessa nova luta do gigante Davi contra o pequeno Davi, mais uma vez, temos convicção que é Davi que vencerá. No próximo encontro do nosso grupo de oração, sugiro que o grupo, ampliado com seus irmãos e amigos de tantas frentes, lhe confira publicamente o título merecido de “Justo segundo o coração do Espírito Divino e da Mãe Terra”.

Que essa verdade, entranhada no mais profundo do seu ser, o conforte e o fortaleça como servo de Deus, de quem o profeta Isaías dizia que Deus tornou o seu rosto duro como pedra e suas costas resistentes como aço (Is 50). Ninguém o dobrará. E mesmo nos momentos mais duros e dolorosos, você sentirá sobre você a bênção da ternura divina repetindo no ouvido do seu coração a palavra ouvida por Jesus: “Você é meu filho muito amado, filho de minha predileção”.

Seja essa a sua bênção de defesa e de ressurreição.

Um abraço carinhoso do seu irmão Marcelo