Comunicação

Comunicação cara a cara

Ainda sabemos o que é isto? Há uma tal inundação de estímulos oriundos de fontes externas e distantes (nunca verificadas ou quase não verificadas) que o que estou a perguntar é pertinente. O que se diz pela mídia e pelas redes sociais é tido como certo.

Quando tenho alguém por perto e tento me comunicar surge uma espécie de estranhamento. Acanhamento. Arranje aí o português e a gramática. Ficou mais difícil. Se for uma mulher pode ser assédio. Se for um homem vá lá saber. Pode ser da turma da bala. Se for uma criança ou jovem pode ser pedofilia no pedaço.

Não ficou muita alternativa para quem quer se comunicar com quem está por perto. Ontem na sala de espera do dentista estava eu a escrever sobre estas coisas. Sobre o mundo manufaturado em que vivo, onde fiquei mais isolado. Mas não reclamo não. Ao contrário, têm mais espaço para mim, que antigamente achava que o mundo não tinha lugar para mim.

Uma mulher ao meu lado com uma jovem, dialogavam sobre uma notícia da TV. LGBT. A jovem disse: sempre insistem com isso. Eu pensava o que é que a gente ainda tem de nosso neste universo mecanizado, tecnificado, em que tudo passa pelas mãos e pelas decisões de alguém que decide o que é que é importante ou relevante, ou digno de menção.

Saberia esta jovem que as pessoas da diversidade sexual são mais vulneráveis do que outros segmentos da população? Em outra oportunidade nessa mesma sala de espera de consultório odontológico não me contive. Um que hoje é presidente do Brasil estimulava pela TV que a população se armasse. Eu desabafei: o que querem? Que nos matemos uns aos outros?

Ainda tento a comunicação cara a cara. Lembro dos tempos em que era um ritual que ainda pratico acolher a voz da outra pessoa, os espaços de espera, a escuta, o saber donde era ou o que fazia um e outro.

Ainda tenho tempo para me comunicar. Como diz o papa Francisco, melhor a comunicação do que a mera informação. Até a informação pode acabar sendo uma maneira de ampliar o meu mundo. Quando pergunto a alguém por alguma coisa se abre uma fenda, há uma possibilidade. Um tom, um sentimento, vai de lá pra cá. Prefiro isto. Um pouco mais de espontaneidade.

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