Como o que eu sou e o que eu faço se enraízam na minha história de vida?

TCIComo o que eu sou e o que eu faço se enraízam na minha história de vida? Esta é uma pregunta que se faz no contexto da Terapia Comunitária Integrativa e dos cursos de Cuidando do Cuidador.

Tive a oportunidade de me fazer esta pergunta muitas vezes ontem, voltando de Mendoza, minha terra natal, para João Pessoa. As viagens nos propiciam momentos de muitas horas de nada fazer, o que naturalmente favorece um olhar mais vasto sobre nós mesmos.

Esta pergunta, como muitas outras que Adalberto Barreto tem nos ensinado, e que se repetem no seio desta prática que é a TCI, volta a nossa atenção para a integridade da nossa vida, para a unidade do nosso viver. Unidade do ser e do fazer. Unidade da vida.

Como a pergunta voltava insistentemente, fosse por ela mesma ou por eu mesmo estar a formulá-la uma e outra vez, fui podendo ver que se trata de uma pergunta verdadeiramente unificadora, integradora. Quando me faço esta pergunta, sou eu mesmo que venho como resposta.

Eu sou a resultante unificada de toda minha trajetória vital. Eu posso olhar para qualquer aspecto do meu ser ou do meu fazer, e a resposta é uma integração de momentos, de aprendizados, de valores, de situações, de conjunturas vitais em que fui me moldando e continuo a me moldar constantemente, em um movimento contínuo e fluente.

Posso ver que eu sou sentimentos, pensamentos, sensações, um corpo, uma forma de andar, de olhar, de ver o mundo, de esperar ou de desesperar, de acreditar ou de desconfiar, de ter ou não ter. Sou um feixe de escolhas e de modos de ser, de comer, de vestir, de ir e vir, de caminhar, e toda essa complexidade que eu sou, é a integração da minha própria trajetória existencial.

As pessoas que vejo à minha volta, e com as quais interajo –ou interagi no passado–, fazem parte, como eu, desse tecido móvel em que todos vamos costurando as nossas próprias trajetórias existenciais.

A pergunta Como o que eu sou e o que eu faço estão inseridos na minha trajetória de vida? tem, assim, o efeito de nos devolver a nós mesmos como resposta. Uma resposta coesa e contraditória, móvel e constante, fluente e em movimento.

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