‘Combater a discriminação racial é um esforço que exige empenho e persistência’, afirma ONU

fotoONU e governo do Brasil lançaram nesta quarta-feira (22) a Década Internacional de Afrodescendentes. O Brasil possui a segunda maior população afrodescendente no mundo, com cerca de 105 milhões de pessoas que se autodeclaram pretas ou pardas.

Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento é o tema da Década Internacional de Afrodescendentes lançada nacionalmente pelo Sistema das Nações Unidas no Brasil em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), nesta quarta-feira (22), em Brasília, durante a programação do Festival Latinidades da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha.

Foi lançada também a plataforma da Década – www.decada-afro-onu.org – onde é possível acessar informações completas sobre a Década Internacional de Afrodescendentes, incluindo vídeos, fotos, notícias e eventos, no Brasil e em diversos países do mundo.

O chefe da Divisão África do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Mahamane Cisse-Gouro, esteve presente no evento e afirmou que “nos últimos anos, os Estados fizeram progressos importantes ao integrar, em suas constituições e legislações, medidas protetivas para pessoas afrodescendentes”. No entanto, ele reconheceu que “o caminho – para um mundo livre de racismo, preconceitos e estigmas – é cheio de pedras. Combater a discriminação racial é um esforço de longo prazo que exige empenho e persistência”.

No caso do Brasil, o chefe da Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores, Pedro Saldanha, acredita que é o momento de se reavaliar os caminhos para continuar avançando para tornar a sociedade cada vez mais justa. No evento, ele afirmou que, no contexto internacional, o país foi um dos principais incentivadores da Década. “O papel do Brasil é muito importante nos fóruns multilaterais internacionais. Sempre se espera muito do nosso país especialmente nessa área dos direitos humanos, em particular para os temas dos afrodescendentes”, afirmou Saldanha.

Década internacional de afrodescendentes

A presidente da Fundação Cultural Palmares, Cida Abreu, defendeu que uma das formas de se tornar a sociedade mais justa e inclusiva para os afrodescendentes é “fazer dessa década não somente um momento de reflexão, mas um momento de consolidação das políticas públicas voltadas à igualdade racial e à cultura afrodescendente”.

O coordenador residente do Sistema ONU, Jorge Chediek, explicou que o Brasil obteve um progresso enorme nos seus indicadores sociais e de desenvolvimento humano nos últimos anos e que os negros no Brasil tiveram um progresso ainda maior do que o restante da população. No entanto, a base era tão ruim que as desigualdades entre brancos e negros persistem ainda hoje. “Uma mulher negra recebe, em média, a metade da remuneração de uma mulher branca. De todos os homicídios cometidos no Brasil em 2012, 77% foram contra negros”, exemplificou.

“Portanto, mesmo em um país que tem avançado tanto, ainda há muito o que se fazer e a Década é uma extraordinária oportunidade para avançarmos nas políticas públicas voltadas aos afrodescendentes. Confiamos que nos próximos 10 anos, teremos um evento como esse para comemorar avanços que mostrem que a remuneração das mulheres negras é igual a das mulheres brancas; que os jovens negros não são mais vitimizados pela sua raça, pela sua pele; que o setor público não só abre suas portas a negros e negras, mas que cada vez mais eles tenham mais responsabilidades”, finalizou Chediek.

Em sua fala, a ministra da SEPPIR, Nilma Lino Gomes, chamou atenção para a força da mulher negra e também comemorou a aprovação da reunião das autoridades responsáveis pelos direitos afrodescendentes do Mercosul. Para ela é importante que os negros em todas as regiões não percam as esperanças e a força ancestral que une a população afrodescendente de todo o mundo. “Nós existimos e nós resistimos sempre”, finalizou a ministra.

Sobre a Década Internacional de Afrodescendentes

Por meio da resolução 68/237, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o período de 2015 a 2024 como a Década Internacional de Afrodescendentes com o objetivo principal de promover o respeito, a proteção e a realização de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais dos povos afrodescendentes, como reconhecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Década é também uma oportunidade para reconhecer a contribuição significativa dos povos afrodescendentes às nossas sociedades, bem como propor medidas concretas para promover sua inclusão total e combater todas as formas de racismo, discriminação racial, xenofobia e qualquer tipo de intolerância relacionada.
Sobre o Festival Latinidades

Em sua oitava edição, o Festival Latinidades já figura como o maior Festival de Mulheres Negras da América Latina e vem trazendo importantes temas relacionados à superação das desigualdades de gênero e raça, colocando a cultura negra da diáspora em visibilidade. Sediado no Distrito Federal, o Festival foi criado em 2008 para comemorar o Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.

Acreditando que a cultura é um espaço estratégico e mobilizador dos temas tratados, o projeto envolve diversas linguagens artísticas, formação, capacitação, empreendedorismo, economia criativa e comunicação.

Neste ano o tema do Festival é Cinema Negro e tem por objetivo debater o protagonismo e a representação das mulheres negras no cinema, colocando-as no centro das discussões sobre políticas públicas para o audiovisual. O evento acontece no Cine Brasília de 22 a 26 de julho.

Acompanhe a Década pelo site oficial em português: www.decada-afro-onu.org

Fonte: Nações Unidas-Brasil
http://nacoesunidas.org/combater-a-discriminacao-racial-e-um-esforco-que-exige-empenho-e-persistencia-afirma-onu/