Ana Rachel
Por Gustavo Barreto

A autenticidade é uma característica pessoal de difícil definição. Afinal, o que é o "autêntico"? Mais fácil que definir é reconhecer alguém autêntica, espontânea... e que adora chocolate. Esta é Ana Rachel Dantas, jornalista de palavras difíceis e amor fácil amor pela vida, pelos amigos, pelos livros e pela technologia o tratado (lógos) da arte (téchne). A tecnologia que, por sinal, já foi sugerida como "qualquer técnica moderna e sofisticada" uma definição que cai bem para esta moradora da bela cidade de Fortaleza.

A sofisticação da qual falo não diz respeito (apenas) aos requintes dos adereços de modos (do modo que bem entendermos), mas sobretudo à complexidade inerente que Ana Rachel leva consigo resultando em versos como seu "bloco monolítico de amor perdido na distância", em que registra: "(...) entre ausências e saudades; entre versos simbolistas e frases byronianas; entre Marte e Vênus; entre lágrimas e sorrisos em eclipses; entre personificação de lâminas e cicatrizes na alma; entre dores transvividas e toques não sentidos"; Entre muitas definições, esta é Ana Rachel. 

A comunicação em seu estado mais sublime quando transmissão passa a ser troca, que passa a ser fusão encontra em alguns de seus textos não a "perfeição" e nem mesmo a "qualidade". Que se dane o julgamento definitivo de um mundo eternamente inacabado. A arte da Ana Rachel parece procurar um meio que pouco considera fins se quer feliz, intensa, apaixonada. A ruptura com o cinismo envergonhado da "alta" literatura aqui encontra espaço se quer libertadora. Conseguirá? Ninguém sabe e é bom que assim seja. O roteiro inacabado e confuso da vida de Ana será um filme de suspense? é imprevisível. No entanto, lembrando Émile Zola, sobre Ana Rachel já se sabe: "Estamos aqui para viver em voz alta". (GB, 11/4/2006)


 
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