Cobertura de ataques à Maré: a mídia é de classe mesmo. O que faremos?

Foto: Guilherme Fernández (www.facebook.com/guilherme.fernandez.35)

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A Favela da Maré, no Rio, está sendo atacada pelo aparato militar do Estado brasileiro (forças federais e estaduais). Atente para o seguinte trecho desta matéria da Folha de S.Paulo (leia aqui).

“(…) Rajadas de fuzil foram disparadas para cima de dentro da favela, e os policiais revidaram com tiros de fuzil, também para o alto. Mais tarde, um policial militar disse à Folha que foi uma falta de comunicação com militares do Exército. “Eles dispararam e não nos avisaram. Achamos que era contra a gente e fizemos os disparos, para o alto”, disse. (…)”

De resto, sem novidades: uma matéria curta tem cinco citações de autoridades – “Segundo a PM”, “um policial militar disse à Folha”, “A Polícia Militar afirmou”. “De acordo com o Centro de Operações da Prefeitura” e “Em nota, a assessoria da Força de Pacificação disse” – e apenas uma não oficial.

A única fonte não oficial foi uma parente de Vitor Santiago Borges, jovem de 29 anos que está em coma e teve a perna direita amputada após fuzilamento deliberado das “Forças de Pacificação” no dia 12 de fevereiro contra um carro com ele e mais 4 pessoas dentro. Eles voltavam de um jogo de futebol e não pairava qualquer mínima suspeita sobre os jovens. Dentro do carro estava inclusive um sargento da Aeronáutica (leia aqui).

Na versão da matéria da Folha, as balas “teriam” sido disparadas por militares.

No RJTV, da Rede Globo, a despeito do que confirma A PRÓPRIA POLÍCIA, o ex-capitão do BOPE Rodrigo Pimentel disse: “Polícia e o Exército receberam tiros e pedradas ficando claro que a manifestação foi orquestrada pelo tráfico”.

O Maré Vive comenta: “Essa é a criminalização da pobreza e das manifestações populares que a gente fala. Desligue a sua televisão! A Globo mente. A mídia comercial tem outros interesses que não passam pelo bem estar de quem não tem dinheiro. Mesmo sabendo que “baderneiros” não é uma exclusividade da favela, eles fazem força pra tirar o povo das ruas e dizer mais uma vez que o levante popular da favela é coisa de bandido. Eles tão peidando porque sabe que quando a gente sair da fase de garantir a vida, vamos cair com força pra pedir a regulação da mídia. Juntos! Favela!! Cada vez mais temos que ser a mídia que queremos ver no mundo”.

Acompanhe pelo #MaréVive e por outros meios locais: www.facebook.com/Marevive

Matéria correta e completa: http://bit.ly/1AHJfvF

Agora, pergunta que não quer calar: se uma força policial atira contra cinco filhos de atores da Globo, fere todos e deixa um em coma sem uma perna, o que teria acontecido com o noticiário? Algum dúvida sobre o caráter classista da nossa mídia? Até quando vamos fingir que essa imprensa representa alguma coisa? Até quando os jornalistas aceitarão essa situação? Ou eles próprios são artífices dela? A debater.

(Foto: Guilherme Fernández)

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