Bolsonaro manda recado a Bolsonaro: é imoral

Recorte do Jornal do Brasil, edição de 17 de março de 1990.

Recorte do Jornal do Brasil, edição de 17 de março de 1990.

Estamos em março de 1990, e vereadores do munício do Rio de Janeiro protestam contra a nova lei orgânica. Um dos artigos ratificaria, por exemplo, o direito dos servidores públicos municipais com oito anos de serviço de receberem por toda a vida os salários de cargos em comissão.

“Seria uma aposentadoria paralela”, criticou à época o então vereador Jair Bolsonaro, um dos que se opunha ao artigo, em registro do Jornal do Brasil, em sua edição de dia 17 de março daquele ano (cf. aqui e a imagem acima).

Em 1995, durante seu segundo mandato na Câmara dos Deputados, em Brasília, ele passou a receber auxílio-moradia. Mesmo com um imóvel próprio na capital federal, a partir do início de 2000, ele nunca abriu mão do benefício de pouco mais de 4 mil reais – plenamente incorporados à renda, já que não há gastos extras com moradia.

O filho dele, Eduardo Bolsonaro, adota o mesmo procedimento que o próprio Jair teria classificado, nos anos 1990, como “imoral”. (cf. FSP, 8/1/2018, cf. aqui).

E, se formos nos manter dentro do tema cobrado pelo capitão aposentado, as coisas pioram ainda mais. Bolsonaro acumulará três vencimentos: o salário de presidente (R$ 30 mil), a aposentadoria como capitão do Exército (pelo menos R$ 8 mil) e a aposentadoria como parlamentar (R$ 29 mil). Total: mais de 70 mil reais por mês – quase o dobro do teto constitucional, que chegará a R$ 39 mil nesse ano.

“Imoral”, mas dentro da lei.

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