Ato celebrativo dos 500 anos da Reforma e do clamor por reformas urgentes na Igreja Católica Romana

Kairós Nós Também Somos Igreja, membro do IMWAC. João Pessoa, 29/10/2017

Roteiro da celebração:

I- Acolhida e Oração inicial
II- Contextualização da Reforma
III- Clamor por urgentes reformas na Igreja Católica Romana
IV- O que o Espírito Santo pede de nós?
V- Oração final

I- Roteiro da Oração inicial
1- Canto inicial: Prova de Amor maior não há que doar a vida pelo irmão
Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão! Eis que eu vos dou o meu novo Mandamento:
“Amai-vos uns aos outros como Eu vos tenho amado” Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão! Vós sereis os meus amigos se seguirdes meu preceito:
Nisto todos saberão que vós sois os meus discípulos: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos tenho amado” Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!
2- Recitação e meditação do Salmo 72:
Salmos 72

1 Reveste da tua justiça o rei, ó Deus, e o filho do rei, da tua retidão,
2 para que ele julgue com retidão e com justiça os teus que sofrem opressão.
3 Que os montes tragam prosperidade ao povo, e as colinas, o fruto da justiça.
4 Defenda ele os oprimidos entre o povo e liberte os filhos dos pobres; esmague ele o opressor!
5 Que ele perdure como o sol e como a lua, por todas as gerações.
6 Seja ele como chuva sobre uma lavoura ceifada, como aguaceiros que regam a terra.
7 Floresçam os justos nos dias do rei, e haja grande prosperidade enquanto durar a lua.
8 Governe ele de mar a mar e desde o rio Eufrates até os confins da terra.
9 Inclinem-se diante dele as tribos do deserto, e os seus inimigos lambam o pó.
10 Que os reis de Társis e das regiões litorâneas lhe tragam tributo; os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes.
11 Inclinem-se diante dele todos os reis, e sirvam-no todas as nações.
12 Pois ele liberta os pobres que pedem socorro, os oprimidos que não têm quem os ajude.
13 Ele se compadece dos fracos e dos pobres, e os salva da morte.
14 Ele os resgata da opressão e da violência, pois aos seus olhos a vida deles é preciosa.
15 Tenha o rei vida longa! Receba ele o ouro de Sabá. Que se ore por ele continuamente, e todo o dia se invoquem bênçãos sobre ele.
16 Haja fartura de trigo por toda a terra, ondulando no alto dos montes. Floresçam os seus frutos como os do Líbano e cresçam as cidades como as plantas no campo.
17 Permaneça para sempre o seu nome e dure a sua fama enquanto o sol brilhar. Sejam abençoadas todas as nações por meio dele, e que elas o chamem bendito.
18 Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, o único que realiza feitos maravilhosos.
19 Bendito seja o seu glorioso nome para sempre; encha-se toda a terra da sua glória. Amém e amém.
20 Encerram-se aqui as orações de Davi, filho de Jessé.

3- Canto de proclamação ao Evangelho : Toda Palavra de Vida é palavra de amor:

Toda palavra de vida é Palavra de Deus
Toda ação de liberdade é a Divindade agindo entre nós
É a Divindade agindo entre nós.

Boa nova em nossa vida, Jesus semeou
O Evangelho em nosso peito é prova de amor. (bis)

Todo grito por justiça que sobe do chão
É clamor e profecia que Deus anuncia para a conversão
Que Deus anuncia para a conversão.

Aleluia, aleluia! Bendita Palavra que faz libertar (bis).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 22,34-40
Naquele tempo:
34 Os fariseus ouviram dizer que Jesus
tinha feito calar os saduceus.
Então eles se reuniram em grupo,
35 e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo:
36 ‘Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?’
37 Jesus respondeu: ‘`Amarás o Senhor teu Deus
de todo o teu coração, de toda a tua alma,
e de todo o teu entendimento!’
38 Esse é o maior e o primeiro mandamento.
39 O segundo é semelhante a esse:
`Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’.
40 Toda a Lei e os profetas
dependem desses dois mandamentos.
Palavra da Salvação

4- Partilhando, entre irmãos e irmãs, as inspirações do Evangelho

II – Contextualizando a reforma: trecho da reflexão de Eduardo Hoornaert: Lutero, “Passando a vida toda em ambiente católico e se relacionando com católicos, ele entendeu seu protesto como uma tentativa de reforma da igreja católica. O protestantismo propriamente dito lhe é posterior. O que importa entender é que Lutero significa a quebra de um pensamento cristão único que vigorou durante mil anos, grosso modo entre os anos 500 e os anos 1500. Os polígonos formados, em diversas circunstâncias de tempo e espaço, pela quebra do pensamento único, conservam suas peculiaridades. Eles não se fundem em globos, uniformes, mas apresentam peculiaridades. Lutero abre a porta para que, com o tempo, apareça um islamismo poligonal, um hinduísmo poligonal, um catolicismo poligonal, etc. Um processo de longa duração, que, vivido em profundidade, opera a derrubada da pastoral do medo, assim como anima o cultivo da pastoral do diálogo, da misericórdia e da esperança.”

(http://eduardohoornaert.blogspot.com.br/2017/10/la-importancia-historica-del-dia-31-de.html)

III: trecho do livro Vocação para a liberdade, de autoria José Comblin, Cap.10: “A liberdade na Igreja.”
“Pessoalmente poderia escrever um livo sobre situações que conheci, a respeito dos dramas da falta de liberdade na Igreja Católica. É que tais casos existem também em outras Igrejas – e mesmo, mais ainda talvez, nas instituições civis ou nas empresas. Tudo isso é verdade. Porém, não se poderia esperar da Igreja Católica que, em lugar de afastar os fiéis da mensagem de liberdade de Jesus, os aproximasse dela?
Não se pode acusar pessoalmente a ninguém. Todos têm boa vontade. Porém, todos são vítimas do mesmo sistema, e o sistema é que precisa mudar. Não adianta fazer atos de penitência individual. O que é imprescindível é a mudança no sistema.
O sistema gera covardia. Tanto assim que todos os bispos latino-americanos que mostraram coragem e espírito de liberdade em face dos opressores foram condenados, denunciados, atacados, ameaçados ou, finalmente, destituídos por ordem de oma. Parece que a coragem e a liberdade são incompatíveis com a pertença à Igreja, salvo quando a própria instituição está sendo perseguida. Nesse momento exige-se o sacrifício total.
Essa situação vem de longe, perfazendo a história de todo o segundo milênio. Quando foi aberto o Vaticano II, surgiu um grande movimento de esperança: pelas janelas abertas por João XXIII começou a entrar um ar de liberdade. A primavera não durou muito. Não deu tempo de chegar o verão. O inverno retornou logo.”
(p. 278)

III Principais clamores por reformas na Igreja Católica Romana (ver cartaz afixado):
– Pôr o Evangelho à frente do Código de Direito Canônico.
– Centralidade do Povo de Deus na organização da vida Eclesial, tendo os pobres como núcleo evangélico.
– Participação das Mulheres nas distintas instâncias decisórias da Igreja.
– Reconhecimento da legitimidade das mulheres vocacionadas a exercerem, assim como os homens vocacionados, todos os serviços eclesiais.
– Reconhecimento da legitimidade de católicos e católicas, ordenados e não-ordenados, de escolherem livremente seu estado civil.
– Aprimorar e aprofundar o esforço ecumênico de unidade dos cristãos, a partir de iniciativas tomadas na base das distintas Igrejas Cristãs.

Sugestões do Padre Reginaldo Veloso:

1) Em substituição ao Código de Direito Canônico, e como abertura ao que “o Espírito diz hoje às Igrejas”,elaborar, com base nas Escrituras e na Tradição das Igrejas Cristãs, uma Carta dos Direitos Humanos e Eclesiais, que sirva tanto à atuação no âmbito interno das Igrejas, como a na militância em meio à sociedade;
2) Superar a visão e a vivência hierárquica, no âmbito das Igrejas cristãs, adotando uma compreensão e uma prática que contemplem a todas as pessoas batizadas como servidores e servidoras, iguais em dignidade e diferentes de acordo com a natureza dos serviços que exercem, a partir dos dons e carisma recebidos, nos moldes do que propõe o próprio Jesus, nos Evangelhos, e do que propõem as Cartas Apostólicas;
3) Comprometer definitivamente as Igrejas cristãs com os destinos da Humanidade, na elaboração e implementação de um Sistema Social que priorize a Vida do Planeta e a Vida Humana, na perspectiva do Reino anunciado por Jesus, de modo que se apresse a “vinda do Reino”, tal como pedimos ao Pai-e-Mãe do Céu, como coisa que tem que acontecer, antes de tudo, “assim na terra como no céu”.

IV O que o Espírito Santo pede de nós?

V Oração e canto final.

Mais informações:
https://www.we-are-church.org/413/
http://outraspalavras.net/maurolopes/
http://eduardohoornaert.blogspot.com.br/2017/10/la-importancia-historica-del-dia-31-de.html
http://teologianordeste.net/
http://sicsal.net/reflexiones/ElCaminoComblin.html

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