Atingidos por barragens aumentam produção de alimentos saudáveis

Recentemente, os agricultores atingidos pelas barragens da bacia do Rio Uruguai, organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), começaram a implantar experiências de um novo método de produção de alimentos na região, que estão chamando de Produção Camponesa de Alimentos Saudáveis (PCAS). As três primeiras foram implantadas, através de mutirões, nos reassentamentos de Laranjeira, em Capão Alto (SC); São Sebastião, em Esmeralda (RS); e Primeira Conquista, em Barracão (RS) e foram inauguradas no final de julho.

Esta tecnologia social tem como base o programa “Produção Agroecológica Integrada e Sustentável – PAIS”. A experiência consiste em construir um galinheiro que é rodeado por uma horta de canteiros circulares, de uma estufa e de um pomar com cerca de 150 mudas frutíferas, além de um sistema de irrigação.

O objetivo dessa experiência é, além de fortalecer a organização dos camponeses, produzir alimentos saudáveis para a subsistência das famílias e a geração de renda através da venda do excedente da produção. A aplicação desta técnica reduz a dependência de insumos vindos de fora da propriedade, diversifica a produção, utiliza com eficiência e racionalização os recursos hídricos, alcança a sustentabilidade em pequenas propriedades, e produz em harmonia com os recursos naturais.

“Estamos contentes, pois já tivemos o reassentamento que foi uma conquista da nossa luta, e agora estamos tendo a oportunidade de melhorar a nossa alimentação e ter uma renda pra continuar vivendo na terra’’, relatou Marines de Souza, uma das beneficiadas pelo projeto.

Segundo a coordenação do MAB, esta metodologia tem como característica a sua alta capacidade de ser aplicada por um custo muito baixo. A iniciativa faz parte do Projeto Popular de Desenvolvimento, um plano de recuperação, preservação e desenvolvimento das comunidades, municípios e região atingida pelas hidrelétricas na bacia do rio Uruguai e está tendo parceria com a entidade norte americana Heifer Internacional.

“Nossa prioridade é produzir alimentos saudáveis, sem o uso de venenos e com adubação orgânica através das famílias atingidas por barragens que estão nos reassentamentos ou nas comunidades ribeirinhas. Entendemos que quem vive na agricultura tem uma tarefa muito importante, que é produzir alimento e cuidar da natureza. E nós como agricultores e agricultoras queremos fazer isso”, finalizou Marines.

Mais informações:

Neudicléia Neres de Oliveira
Setor de Comunicação do MAB
(54)3522-1857
(54)9926-7719
www.mabnacional.org.br

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