Assembléia Popular da Paraíba divulga manifesto

Assembleia Popularpb. Neste dia 26 de abril, estamos nas ruas de João Pessoa para levar à população as bandeiras de luta da classe trabalhadora brasileira, como parte das comemorações do Dia Internacional dos Trabalhadores, o Dia 1º de Maio. Esta data foi instituída há quase um século e meio para marcar a luta pela redução da jornada em todo o mundo, que é ainda hoje uma de nossas reivindicações.

Num contexto de crise internacional do capitalismo, em que grandes bancos e monopólios faliram e foram socorridos com enormes quantias de recursos públicos, o Brasil passou a ser um país onde os investimentos se tornaram mais seguros, proporcionando um aquecimento da economia nacional. Este crescimento, no entanto, não veio acompanhado da redução da jornada de trabalho. Por isso, defendemos a redução da jornada para 40 horas já!

Também, defendemos o aumento geral dos salários e, para isso, temos desenvolvido grandes campanhas salariais, inclusive realizado greves. E temos que lutar mais: o salário mínimo no Brasil é hoje de R$ 622,00, enquanto que o Dieese aponta para um salário mínimo necessário de R$ 2.295,58.

Outra questão fundamental é o problema das terceirizações. Cerca de 80% das mortes que ocorrem por acidente de trabalho são de funcionários terceirizados, ou seja, funcionários de uma empresa que prestam serviços a outras empresas maiores ou a governos, precarizando as relações de trabalho e favorecendo os acidentes, as mortes, os salários baixíssimos, o assédio moral, a falta de liberdade de organização sindical e o completo desrespeito às leis trabalhistas.

Como trabalhadores, somos obrigados a pegar todos os dias ônibus lotados e a pagar uma passagem cara. As nossas cidades precisam de sistemas de transporte público eficientes e a um preço acessível, pois os reajustes anuais das passagens acima da inflação causam um verdadeiro rombo no orçamento das nossas famílias.

As escolas públicas estão sucateadas e não vemos nenhum projeto real de valorização da educação, um dos pilares para o desenvolvimento de qualquer nação de forma soberana e autossustentável, impedindo um crescimento cidadão da juventude.

Na saúde, sofremos com as longas filas nos hospitais e a falta de pessoal, equipamentos e remédios. Queremos ver nossos impostos investidos na vida humana e não nos tubarões dos planos de saúde privada!

Por falar em vida, toda a sociedade clama por mais segurança. Compreendemos que, enquanto não existir educação e trabalho digno, não haverá solução para este mal.

E as mulheres, aliás, são as que mais sofrem com a violência. Além de sofrerem com o assédio e a violência sexual, recebem, em média, apenas 70% dos salários dos homens, realizando o mesmo serviço, não possuem creches nos locais de trabalho para deixar seus filhos e ainda sofrem com o preconceito e a vulgarização de sua imagem. Todo o movimento sindical e popular defende a igualdade de direitos entre homens e mulheres.

No campo, a situação é das piores. A seca que assola nosso estado e todo o Nordeste é causada pela falta de uma política de irrigação e investimentos em sistemas simples de armazenamento, como as cisternas, além das barragens que não matam a sede do nosso povo e ainda os expulsa de suas terras. Apesar de mais de dois terços dos alimentos que consumimos virem das pequenas propriedades ruais, da a agricultura familiar, o latifúndio continua dominando no campo, massacrando os camponeses pobres, matando suas lideranças e impedindo o acesso à terra. Queremos uma Reforma Agrária já, que garanta a terra para quem nela vive e quer plantar!

Por fim, além de deixar nosso chamado para a luta, para o fortalecimento dos sindicatos, centrais e demais entidade do movimento de trabalhadores, das mulheres, da juventude, etc., queremos dizer que é presiso lutar por um país diferente, sem corrupção, verdadeiramente democrático.

Só com a particitação ativa de toda a população, poderemos ver toda a riqueza que produzimos se investida pelo Estado nas áreas de interesse social para acabar com todos os problemas que denunciamos neste Dia do Trabalhador. Só com o fim da roubalheira e da exploração poderemos ver o que é nosso ser usado em benefício do Brasil, e não para enriquecer as classe possuidoras, aqueles que durante séculos têm vivido à custa do nosso suor.

CUT, CTB, NCST, MLC, ASSEMBLEIA POPULAR, MARCHA MUNDIAL DE MULHERES, LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE