As greves e o poder

Embora não seja novidade, é sempre lamentável constatar que muito “revolucionário” de ontem, quando chega ao poder, esquece os seus ideais de ontem.

A reflexão não deve levar a conclusões pessimistas.

Mas é um alerta para que, em ano de eleições, os cidadãos e as cidadãs, estejamos mais conscientes da distância –sempre enorme— entre discurso e prática.

O quadro de políticos no poder procede de uma esquerda que chegou ao poder em luta contra o arbítrio, contra os privilégios.

Tudo isso fica no passado, a pessoa se arranca da sua trajetória de vida, e mergulha nas benesses de um poder que a aliena de si mesma e das suas lealdades de ontem.

Dilma, Mercadante, o quadro de deputados e senadores do PT e de outros partidos de esquerda, ignoram a greve dos professores e atendem a dos caminhoneiros.

Nada de errado em atender a quem transporta mercadorias. Mas por que desatender a quem cria conhecimento, saber, pesquisa, cultura?

A educação e um bem intangível. Será que por isso os materialistas o ignoram? Não se beneficiaram dela?

Não chegaram onde estão, por terem passado pelas aulas das universidades?

Vale a pena refletir em profundidade sobre o fosso que separa os incendiários de ontem dos mandachuvas de hoje.

Uma democracia se sustenta com condutas coerentes, não com os discursos que mudam ao sabor das vantagens e privilégios.

FHC é um exemplo do político antiético.

Dilma, Mercadante, serão lembrados da mesma forma.