Arruda deu panetones para a Veja?

Capa da VEJA em fev/2010A capa da Veja da semana passada é uma prova grotesca da manipulação do jornalismo nativo. Decretada a prisão do único governador demo do país, a publicação da famíglia Civita preferiu dar capa para um assunto candente – “efeito sanfona”. Não dá nem para alegar que o estouro do escândalo de corrupção em Brasília, batizado de “panetonegate”, pegou a revista de surpresa. Ele veio a público no final de 2009. Mesmo a prisão, ocorrida na véspera do fechamento da edição, poderia ter sido o destaque da edição. Tanto que a revista deu uma chamadinha no alto da capa.

A opção editorial deste panfleto da direita pode ter vários motivos. O primeiro é que seria difícil explicar aos seus leitores porque a Veja bajulava tanto o governador do DF. Na edição 2121 de julho passado – não faz tanto tempo –, a revista abriu as suas “páginas amarelas” para uma longa entrevista com a nova “estrela” dos demos. O título: “Ele deu a volta por cima”. A chamada: “Depois de amargar uma imensa rejeição provocada por medidas de austeridade, o governador do Distrito Federal diz que é possível ser popular sem ceder às tentações do populismo”.

R$ 442 mil dos cofres públicos

O ex-líder no Senado de FHC, que renunciou ao mandato para não ser cassado no escândalo da violação do painel eletrônico, é apresentado como um “gestor moderno”, que “demitiu funcionários, pôs as contas em ordem, tirou camelôs das ruas, enfrentou grevistas e freou o processo histórico de invasão de terras públicas”. Tudo o que os leitores da publicação, na sua maioria da “classe mérdia”, adoram. Como seria, agora, explicar que o tal “gestor moderno” montou um poderoso esquema de corrupção e fisiologismo. É compreensível que a Veja não dê capa para Arruda!

Outra hipótese sobre o silêncio é ainda mais grave. Será que a Veja também foi presenteada com os famosos “panetones” de Arruda? Em junho passado, pouco antes da entrevista bajuladora, o governo do Distrito Federal garfou dos cofres públicos R$ 442 mil para a compra de exemplares da revista, sem qualquer licitação. Com o estouro do escândalo do “panetonegate’, a Veja não teve mais como se fingir de morta e até produziu algumas matérias críticas, sempre na linha da “ética na política”. Mas ela evita atacar o “gestor moderno” ou fazer qualquer autocrítica.

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Comentários

comentários

Da mesma forma que a rede oficial comunista “globo” conseguiu dar viés positivo à visita do Lulovitch vermelho à Cuba.
Ele vai construir lá um porto com o meu dinheiro de contribuinte e a Globo bate palmas.
Sua crítica ameaça a liberdade de imprensa.

  • Gostaria de pegar o ensejo desse texto sobre a capa de Veja e compartilhar minha recém adquirida opinião (na verdade é mais um desabafo,visto que todos em minha volta ainda não despertaram do sono profundo provocado por Veja ao qual muitos foram submetidos).

    Sou assinante de Veja há mais de 1 ano. Como tinha o costume de ler a revista uma vez ou outra, não concordava muito com as críticas negativas que costumava ouvir sobre a revista. No entanto, ao ler todas as semanas por mais de 1 ano, passei a observar que a revista se utiliza, com muita frequência, de vocabulários grosseiros, pesados, que desvirtuam completamente o papel meramente informativo e impessoal que uma revista séria deveria ter.
    Acho que as pessoas que seguem Veja e a defendem deveriam fazer um comparativo entre as edições atuais de Veja (a partir do início do atual governo) com as edições do ano de 1994-2000 (durante o governo FHC) para perceberem o quanto a revista tem algumas de suas matérias direcionadas pela conveniência de certos partidos políticos. De fato a capa da edição de 17 de fevereiro de 2010 é muito reveladora. Essa edição traz a matéria (imprescindível por sinal) sobre a prisão do governador do DF, José Roberto Arruda. A prisão do governador do Distrito Federal, por corrupção, é um caso gravíssimo e creio que a maioria de vocês concorda que um assunto de tal importância deveria ser estampado na capa da revista (a prova da importância desse tema é o fato de essa matéria ter sido a mais comentada pelos próprios leitores de Veja). No lugar desse conteúdo, como foi citado acima, a revista colocou na capa uma matéria sobre dieta, e no canto superior da revista veio uma foto minúscula de Arruda. A foto dele não aparece em nenhuma outra parte da revista, eles simplesmente colocaram, no meio da matéria, a foto da mulher do governador sorrindo – isso dá a impressão àqueles que só folheiam a revista de se tratar de um tema sem tanta gravidade -. E o texto em si da matéria expõe o caso com imparcialidade, algo muito raro na grande maioria das matérias da revista.

    Colocar nas bancas uma edição cuja capa fala sobre dieta, com certeza a intenção da revista não era alardear o caso Arruda para as pessoas que compram a revista esporadicamente, pois quem comprou impulsionado pela matéria de capa (sem querer julgar ninguém!) provavelmente não deu à mínima para a matéria sobre o governador. E para dar mais um exemplo de um possível poder que certos partidos têm sobre Veja, a edição de 10 de março de 2010 estampa com voracidade na capa o secretário de Finanças do PT acusado de desvio de dinheiro para financiar a campanha do atual governo.

    Acho que antes de críticas, positivas ou negativas, serem lançadas, deveríamos observar melhor, sempre estabelecendo comparações, como a Veja se articula com os partidos políticos. Acho que uma boa revista deveria expor as informações e deixar o leitor tomar suas decisões sem ser compelido a aceitar ou negar certos temas. Infelizmente, não temos boas opções de jornalismo, aquele jornalismo impessoal que torce pelo sucesso do Brasil independentemente de partido político, que faz críticas positivas ou negativas de um mesmo governo, pois as críticas deveriam ter como alvo os atos praticados pelo governo, não importando qual partido os tenha praticado!

    Provavelmente, irei cancelar a minha assinatura de Veja e quebrar a cabeça para achar uma substituta. Será uma tarefa árdua!

  • Recomendo, a quem pesquisa uma revista para ler, que dêem uma olha na revista Carta Capital, não tem lá uma qualidade total, mais ao menos vocês podem ler matérias isentas, ou não se sentirão incomodados de estarem sendo descaradamente manipulados. Se sentirão mais respeitados.

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