Acolher os excluidos

fotoNesse domingo, as Igrejas leem um evangelho (Lc 14, 1 e 7- 14) que não é fácil atualizar.

Em cada sociedade, há sinais claros de distinção e sinais de discriminação social. Em uma universidade brasileira, os professores se destacam por títulos que vão de graduação até pós-doutorado e o importante não é se é um bom educador e sim quantos diplomas coleciona e quantas publicações têm em revistas reconhecidas pelo mundo acadêmico.

No mundo artístico, as distinções se darão pelos prêmios e pelo preço do artista. No mundo dos esportes, vale medalhas de ouro, de prata e de bronze… No mundo de Jesus, os iguais se sentavam à mesa e subir de lugar na mesa era subir de posto social… Por isso, todos desejavam e procuravam os primeiros lugares.

A mesa era o lugar da expressão de uma sociedade estratificada. Comer juntos era como casar em termos sociais… Era sinal de uma aliança de classe.

Por isso, Jesus se destacava por comer com pecadores e gente de má vida e quando foi convidado a um banquete na casa de um fariseu, não somente rompeu o protocolo se metendo onde não era chamado. Não lhe competia dizer quem deveria ocupar os primeiros e os últimos lugares. Era até má educação entrar nesse assunto.

Mas, Jesus é um profeta e provoca. E provoca em duas direções. A primeira é para os convidados e a segunda é para o anfitrião. Aos convidados ele diz: ocupe o último lugar. Não se trata de uma estratégia. Vou ocupar o último para ele me chamar para o primeiro… O modo de falar de Jesus é por antíteses, comparações assim invertidas – ocupe o último que vc terá o primeiro…

Mas, não se trata de humildade. Trata-se de solidariedade, de comunhão com os últimos. E ao anfitrião que convida, Jesus propõe: Convide os pobres, aleijados e gente da rua…. E eles lhe receberão no reino…

A boa notícia do evangelho de hoje é que se nos sentimos assim pobres e desprovidos de tudo, somos os primeiros no banquete do reino de Deus e somos chamados por Jesus a nos abrir para muito além da família, dos amigos aos quais queremos bem e ao círculo pequeno de nossa intimidade: a família de Deus é muito maior e é ela que devemos acolher e a qual devemos nos unir.