Ação social transformadora

MW C e VNo ano de 1993, defendi na FFLCH-USP a minha tese de doutorado em sociologia, intitulada “Simpatia pelo Daimon: Max Weber, ciência e valores”. Nela, tentei aprofundar no que me parecia que a sociologia oficial deixava de fora da pesquisa científica e da prática acadêmica: o lado interior do sujeito, os valores, as crenças, o sobrenatural e divino, o irracional. Mais ainda, foi uma espécie de acerto de contas, um desabafo depois de muitos anos de suportar uma frieza, um mercantilismo no âmbito da minha profissão, tão distante do que para mim é a vocação sociológica.

Dessas indagações, que de início cobriam um leque amplo de autores e temas, intitulada “Claro-escuro: repensando o paradigma da sociologia”, nasceu um livro que se chama “Max Weber: ciência e valores”, editado pela Cortez em São Paulo. Não sei que direções terão tomado a sociologia oficial e o seu racionalismo estreito, o intelectualismo academicista que critico nesse livro.

Mas penso que continua vigente o apelo de Max Weber, a escuta do daimon que tece os fios das nossas vidas, o fio condutor da pesquisa que publiquei em 1996, com segunda edição em 2001. Continuo achando que esse é um dos maiores desafios que devemos enfrentar como seres humanos desta época tão incerta: a escuta interna do nosso próprio espírito, desse deus interior que nos fala de diversas formas.

Da minha parte, e a título de conclusão destas breves anotações, posso dizer que tive a sorte de deixar o âmbito dito acadêmico, para me somar a um movimento social ou dois, melhor dizendo: o da Terapia Comunitária Integrativa, criado por Adalberto Barreto, e o grupo de estudos, reflexão e ação social Kairós-Nós também Somos Igreja.

Um e outro convergem na valorização da pessoa humana, sua auto-estima e o empoderamento subsequente. Creio que o apelo de Max Weber continua vigente. Continua fazendo sentido que a pessoa se pergunte qual é o rumo que há de dar à sua vida, quais os valores que hão de direcionar os seus atos, internos e externos.