A Terapia Comunitária Integrativa no contexto prisional

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A Terapia Comunitária Integrativa acredita que o fortalecimento das relações das famílias, de reeducandos e servidores, através de ações que estimulem o processo de humanização, podem contribuir para um ser humano melhor.

Pensando no bem-estar do funcionário e do próprio preso, a Escola da Administração Penitenciária (EAP), através do Centro de Capacitação e Desenvolvimento de Recursos Humanos (Cecad) investiu na parceria com a Unesp – Centro de Pesquisas da Infância e Adolescência “Dante Moreira Leite” (Cenpe) – Campus Araraquara, para um curso de longo prazo que com certeza colherá grandes resultados no futuro próximo. Afinal foram 359 horas/aula, entre o período de novembro de 2012 a fevereiro de 2014. O Curso “A Terapia Comunitária Integrativa” (TCI) contou com 25 alunos.

A decisão pelo curso não foi fácil, levando em consideração o público alvo. “Foi um ano de intensas negociações até eleger, dentre os diversos cursos oferecidos pela Unesp, o que mais se enquadrava com a realidade, além de contribuir com a EAP a proporcionar auxílio na missão da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), que é a reinserção do homem preso na sociedade”, esclarece a diretora da Escola, Leda Maria Gonzaga.

O Curso de TCI foi ministrado pela Cenpe, fundação vinculada à Unesp – Campus Araraquara -, sob a coordenação do professor Leandro Osni Zaniolo. É uma metodologia de intervenção que proporciona o encontro entre as pessoas para que conheçam melhor a si mesmas e também a comunidade em que vivem e que juntas busquem alternativas para lidar com os problemas do cotidiano, o que se aplica ao sistema prisional e sos seus servidores.

“Acredito que com o Curso de TCI, poderemos atingir a população carcerária, bem como os servidores, compartilhando suas angústias, o que irá refletir em bons resultados”, enfatiza Leda.

A proposta do Curso foi de capacitar servidores das mais diversas áreas, agentes de segurança, área de saúde (psicólogos e assistentes sociais) e diretores para exercerem uma atividade de prevenção e inserção social de indivíduos e famílias que vivem em situação de crise e sofrimento psíquico, com técnicas específicas da metodologia da TCI.

O Curso foi dividido da seguinte forma: 160 horas para as teorias fracionadas em módulos teórico-vivenciais; 79 horas com intervisão e 120 horas com estágio prático, com 48 sessões de terapias comunitárias integrativas.

Dentre o cronograma, as alunas Gisele Angélica Silveira Rodrigues e Cilene Fernanda Santana, ambas funcionárias da EAP e Dejane de Lima e Silva Fonseca, servidora da Reintegração Social, conseguiram na parte prática do curso atingir 370 pessoas, na chamada “Roda de Terapia”.

“Quando a boca fala, os órgãos saram e quando a boca cala, os órgãos falam”: frase gravada do curso para a aluna Gisele, que enfatiza ainda a sua mudança na percepção ao ouvir os outros.

Acreditando que o fortalecimento das relações das famílias, dos reeducandos e dos servidores através de ações que estimulem o processo de humanização, a EAP, com total apoio da SAP, está investindo nesse método de TCI para proporcionar às pessoas que lidam diretamente com a população carcerária, ferramentas para melhor construção da autoestima que automaticamente leva o indivíduo a superar obstáculos, gerenciar conflitos e resgatar sua identidade.

Os alunos foram unânimes em dizer que a Terapia Comunitária Integrativa é um instrumento eficaz no atendimento a essa população de perfil diferenciado e que todos obtiveram ganhos pessoais e profissionais: saber ouvir, flexibilidade, diminuição de conflitos e parcerias com outras Instituições, diminuição de conflitos entre os detentos e ainda, rede de apoio para encaminhamentos.