A Terapia Comunitária Integrativa e o sentido da vida

Hoje de manhã, me ocorreu de pensar sobre o símbolo da Terapia Comunitária Integrativa, a teia de aranha. Ocorreu-me que esta teia são, por um lado, os vínculos, os laços que nos unem a outras pessoas, que nos dão um sentido de pertencimento a um coletivo, a uma comunidade, à humanidade.

Por outro lado, são também –o que está estreitamente ligado ao anterior—os laços que nos unem à nossa cultura, ao nosso povo, à nossa história pessoal e coletiva, aos nossos valores e crenças, às esperanças que nos movem cada dia, todo dia, de um dia para outro, ao longo do tempo, desde que começou a nossa existência.

Assim, este símbolo é muito forte. Ele nos remete a um sentido de unidade, de pertencimento, de comunidade. Esta teia nos une com pessoas que estão ou não em contato direto conosco, cara a cara. São também os nossos antepassados, as nossas raízes familiares e grupais, que afundam profundamente no tempo e na terra.

Nos dão uma sensação de perecibilidade, também, mas uma perecibilidade integrada ao ciclo da vida. Na teia da vida, na Teia da Terapia Comunitária Integrativa, tudo vem fazer sentido, até a morte, que na nossa cultura ocidental é como que algo do qual não se deve falar.

A morte, a dor, as desavenças, as perdas de todo tipo, vem fazer sentido na teia da terapia. Porque não mais estamos sós, não mais nos sentimos desgarrados, isolados. Tem-se reconstituído em nós, vem-se reconstituindo constantemente, continuamente, uma sensação tão forte como a teia da aranha.

A sensação de sermos parte, de formarmos parte do contínuo da vida. Uma vida que começa com a nascença mas que não termina com a morte corporal, uma vez que tudo se integra e se reintegra constantemente em novas vidas, assim como a nossa vida pessoal é uma continuidade de vidas anteriores que em nós pervivem.