A guerra das TVs não pode fazer vítimas religiosas

No início de agosto, a Justiça de São Paulo acatou denúncia do Ministério Público acusando o bispo Edir Macedo e outras nove pessoas da Igreja Universal de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Foi o bastante para estourar uma guerra entre as TVs Globo e Record. Principalmente, em seus noticiários, tomados por acusações de um lado e de outro.

O fato é que ambas as emissoras têm muito o que explicar. As denúncias que pesam contra elas são muitas. De irregularidades legais e fiscais à mais nojenta submissão ao poderosos. Seja em relação às elites seculares do País e ao capital em geral, seja no apoio aos governos de plantão.

E instituição por instituição, o que dizer dos milenares crimes da Igreja Católica.

O que não podemos admitir é que essa guerra se transforme em perseguição religiosa. Em ódios que joguem fiéis contra fiéis ou permitam que pretensos defensores da vida laica criminalizem a fé de amplos setores da população.

A religiosidade popular acaba servindo de munição a uma guerra que esconde poderosos interesses econômicos. Se a religião pode ser o ópio do povo, aos poderosos interessa transformá-la no veneno da intolerância. Como sempre, a mídia grande é a principal responsável por espalhar a peçonha.

Nos pareceu que o Sérgio Domingues misturou propositadamente os temas veiculados pela mídia. A Igreja Católica já pediu desculpas e perdão pelos crimes contra judeus, negros, indios e erros do passado e do presente (João Paulo II). Não há intolerância religiosa no Brasil. Aqui há de tudo. Umbanda, Renascer, Nova Era, Católicos, Protestantes, Vale do Amanhecer, Espíritas, budistas, sem credos, ateus… e todos se respeitam. Ninguém prega abertamente a eliminação do outro. A Globo requentou uma noticia que tem veracidade, que tem fundamento. Claro que ela o faz, pensando em seus interesses midiáticos. Enquanto houver pessoas incultas, desinformadas, carentes, haverá aproveitadores em qualquer setor da sociedade, na religião não é diferente. Existem muitos picaretas. A legislação permite a coleta, isenta de impostos, contudo, com distribuição dentro da comunidade, em benefício do contribuinte. Daí, se infere que determinadas denominações religiosas utilizam-se deste expediente para locupletar seus membros diretores.Como se percebeu isto? Exteriorização de riqueza que não é propriamente fruto do trabalho, e sim da apropriação indébita de bens comuns. Esta exteriorização de riquezas pessoais se tornaram muita clara no Brasil, principalmente nos meios protestantes. Então, entra em campo o Ministério Público, os Tribunais de Contas… Mas o fato é que estes “religiosos” se tornaram popstar, empresários, negociantes, poderosos senhores donos de mídia, etc… proprietários de Castelos, Hotéis, grandes conglomerados, que denota o desvio da função inicial a que se propunham, e que na verdade estão burlando a legislação. A resposta da IURD, foi de desqualificar a denùncia e os denunciadores. O que para nós é o mesmo que admitir a denùncia. Também, todos nós sabemos que não há como negar o uso da Teologia da Prosperidade tão em voga neste campo. E Edir o admite. Esperamos que o Congresso Nacional produza legislação pertinente ao assunto que iniba os picaretas da boa fé da população. Bom, vou ficar por aqui, desculpe-me o discorrer do tema, foi saindo e não arrumei as idéias de forma ordenada.
Um Abraço
Antonio A. Carvalho

  • Caro Antonio, obrigado por seus comentários. Não vou entrar no debate sobre a existência ou não de intolerância religiosa no Brasil. Para mim, ela existe e é forte. A própria IURD incentiva a mais extrema intolerância às religiões afro-brasileiras, por exemplo. Mas, o texto apenas diz que a guerra entre as emissoras não pode se transformar em conflito religioso. Quando falamos de IURD, Globo, Record, estamos falando de estruturas que disputam parcelas de poder econômico e político. E para isso tentam utilizar seus fiéis, religiosos ou laicos, como bucha-de-canhão.
    Abraço

  • não sei de que crimes milenares da igreja católica o autor esta se referindo.
    pelo que eu saiba existe acusações contra a igreja católica de promover alguns crimes.
    tudo facilmente desmascarados.
    uma das calunias mais famosas é de que o papa vendia indulgencia.
    o proprio Lutero fundador do protestantismo desmente esse absurdo,basta lermos as 95 teses deixada por ele.
    sera que o autor não estareferindo A inquisição protestante,onde os fundadores dessas igrejas promoviam masacres.

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