A falsa unidade do eu (Hermann Hesse)

Hermann Hesse, in O Lobo da estepe, nos relembra de um dado da nossa existencia que frequentemente passamos por alto: Que somos uma multiplicidade, uma ciranda de reflexos do universo se rearrumando em um ponto de onde irradiamos para todas as partes. Essa caleidoscopia nos remete à noção da identidade múltipla em Fernando Pessoa. Diz Hermann Hesse:

“Nenhum eu, nem mesmo o mais ingénuo, é uma unidade, antes sim um mundo extremamente multifacetado, um pequeno céu estrelado, um caos de formas, estádios e condições, heranças e possibilidades. O facto de cada um por si aspirar a considerar este caos uma unidade, e falar do seu eu como se se tratasse de uma manifestação simples, fixa e solidamente modelada, claramente delimitada – esse engano, que é inerente a qualquer ser humano (mesmo superior), parece ser uma necessidade, uma exigência da vida, como a respiração ou a alimentação. O erro assenta numa simples transferência. De corpo, todo o homem é uno; de alma, nunca. ”

Para meditar.