A candidatura e o sonho: fazermos renascer a esperança na política

Por Celso Lungaretti

 

Depois de seis plenárias nas várias regiões da cidade, Carlos Giannazi foi o vencedor da conferência estadual do último sábado (31/03), tornando-se o candidato do Partido Socialismo e Liberdade à prefeitura paulistana.

 

A votação dos filiados garantira 62 delegados para Giannazi, 58 para o presidente nacional do partido Ivan Valente e 7 para Odilon Guedes. Na conferência, quatro dos seguidores do Odilon apoiaram Giannazi, que alcançou 66 votos; Valente permaneceu com seus 58 e Guedes teve três.

 

Quanto à qualificação para bem representar o PSOL, Valente e Guedes eram igualmente irrepreensíveis. Com certeza, suas campanhas seriam motivo de orgulho para toda a militância, como o foi a de Plínio de Arruda Sampaio à Presidência da República.

 

Mas, em termos de perspectivas eleitorais, era melhor, indiscutivelmente, a opção Giannazi –e este deve ter sido o fator decisivo de sua vitória.

 

Professor que despontou no noticiário reivindicando mais salas de aula para a escola pública da qual era diretor num bairro pobre, ele tem estado sempre presente nas lutas do magistério, respaldando-as com a força de seus sucessivos mandatos de vereador e deputado estadual. Daí ser, disparado, o candidato preferido do professorado paulistano, numa eleição em que Fernando Haddad (PT) e Gabriel Chalita (PMDB) também virão com currículos ligados à Educação –só que negativos, pois o primeiro fracassou pateticamente na organização do Enem e o segundo foi responsável por demissão em massa de professores.

 

Além disto, participando sempre dos bons combates, Giannazi é conhecido, respeitado e tem apoiadores em toda a cidade. Sua campanha repetirá as daquele saudoso PT que tinha como principal trunfo a abnegação e o entusiasmo de sua militância. Os seguidores de Giannazi são, principalmente, jovens –e isto é muito alentador, neste momento em que o idealismo da juventude volta a carregar as melhores esperanças da humanidade.

 

Mas, mesmo iniciando a caminhada em condições bem melhores que as dos candidatos do PSOL às últimas eleições na cidade e no estado de São Paulo, sua vitória será dificílima em função de estar enfrentando o poder econômico (aí incluída a óbvia predileção da imprensa burguesa pelas candidaturas que não contestam a essência do capitalismo, limitando-se, quanto muito, a propor paliativos para mitigar sua desumanidade); das máquinas governamentais poderosas que estarão a serviço de Haddad e de José Serra; e do tempo irrisório de que disporá na horário eleitoral gratuíto.

 

A juventude volta às ruas: a esperança quer renascer

Dificílima, mas não impossível. No Caso Battisti também a desigualdade de forças era extrema, já que estavam contra nós um país do primeiro mundo, seus capachos e quinta-colunas no Brasil, os reacionários em geral e toda a grande imprensa (cuja tendenciosidade atingiu os píncaros!).

 

Praticamente, só havia uma única, ínfima, possibilidade de vitória –e foi a que fizemos vingar.

 

Agora, podemos imaginar um cenário em que a fraqueza e pulverização das candidaturas de oposição permita a chegada de Giannazi ao 2º turno, a partir do desempenho superior que inevitavelmente terá nos debates na TV, tanto por defender as bandeiras mais justas quanto pelos seus dotes pessoais (sei do que estou falando: como profissional de comunicação, passei boa parte da carreira preparando figurões para saírem-se bem nas exposições à mídia).

 

E, se o 2º turno tiver as características de uma disputa entre as velhas práticas políticas e um candidato que personifique o novo, o favoritismo mudará de lado. Ainda mais com a enorme rejeição que Serra acumulou, tornando-se inaceitável para a esquerda e para os democratas por ter abraçado o extremismo de direita na última eleição presidencial; e para os homens e mulheres de princípios, por haver desonrado a promessa assumida em 2004, de não renunciar depois para disputar outro mandato caso se elegesse prefeito.

 

É inevitável a comparação com uma moeda que caiu em pé, a vitória de Luíza Erundina em 1988, beneficiada pela divisão do eleitorado conservador e/ou reacionário entre Paulo Maluf (PDS) e João Oswaldo Leiva (PMDB). Foi a prefeitura mais importante conquistada por um partido de esquerda depois da redemocratização, decisiva para a afirmação do PT.

 

Temos de acreditar que seja possível repetir o  efeito Erundina. Temos de lutar muito para que o campo da esquerda anticapitalista se una em torno de sua candidatura mais viável. Temos de fazer renascer a esperança na política.

 

“É só saber querer pra poder chegar”, cantava o Vandré.

 

O Serra declarou até dias atrás que o projeto dele era nacional, e que não se interessava pela prefeitura de São Paulo. Como poderemos eleger uma pessoa com esse perfil ? Queremos um prefeito que queira realmente ser prefeito e não presidente ! Também sou da corrente que apóia Gabriel Chalita, a cara de São Paulo !

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