Francisco: a recompensa de Deus

imagesMensagem do Papa Francisco – “Ângelus”, DIA 28.08.2016

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O episódio do Evangelho de hoje nos mostra Jesus na casa de um dos chefes dos fariseus, atento que estava a observar os convidados a um almoço, ansiosos por escolher os primeiros lugares. É uma cena que vimos muitas vezes: procurar o melhor lugar, mesmo que seja a cotoveladas. Ao ver esta cena, Ele conta duas breves parábolas, com as quais oferece duas indicações: uma concerne o lugar, a outra diz respeito à recompensa.

A primeira comparação tem como ambiente um banquete de núpcias. Jesus diz: “Quando você for convidado por alguém a uma festa de núpcias, não ocupe o primeiro lugar, para não que não suceda que lá chegue outro convidado considerado mais digno do que você, e quem convidou a você lhe diga: “Ceda-lhe o lugar.” Ao contrário, quando for convidado, ocupe o último lugar.” Com tal recomendação, Jesus não pretende dar normas de comportamento social, mas uma lição acerca do valor da humildade. A história ensina que o orgulho, o oportunismo, a vaidade, a ostentação são causa de muitos males, enquanto Jesus nos faz compreender a necessidade de escolhermos o último lugar. Isto é, a pequenez e a o ocultamento: a humildade. Quando nos colocamos diante de Deus, nesta dimensão de humildade, então Deus nos exalta, Deus Se inclina ante nós, para nos elevar até Ele, porque “Todo aquele que se exalta, será humilhado, e todo o aquele que se humilha, será exaltado.”

As palavras de Jesus enfatizam atitudes completamente distintas e opostas: a atitude de quem escolhe seu próprio lugar e a atitude de quem entrega isto ao desígnio de Deus, dEle esperando a recompensa. Não esqueçamos: Deus recompensa muito mais do que os homens! Deus nos concede um lugar bem mais belo do que o que os homens nos dão. O lugar que Deus nos dá é perto do Seu coração, e Sua recompensa é a vida eterna: “Você será feliz”, diz Jesus, “receberá sua recompensa na ressurreição dos justos.”

É isto o que vem descrito na segunda parábola, na qual Jesus indica a atitude de desinteresse que deve caracterizar a hospitalidade. E diz assim: “Quando você der um banquete, convide os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos, e feliz de você, porque eles não têm com que recompensá-lo.” Trata-se de escolher a gratuidade, em vez do cálculo oportunista que busca obter uma recompensa, busca o interesse ou mais enriquecimento. Com efeito, os pobres, os simples, os que não contam, jamais poderão oferecer em troca um convite a um banquete. É assim que Jesus mostra Sua preferência pelos pobres e excluídos, que são os privilegiados do Reino de Deus, e lança a mensagem fundamental do Evangelho, que é servir o próximo por amor de Deus. Hoje, Jesus se faz voz de quem não tem voz, e a cada um de nós dirige um forte apelo para abrirmos o nosso coração e a fazer nossos os sofrimentos e os anseios dos pobres, dos famintos, dos marginalizados, dos refugiados, dos desprezados da vida e de quantos são descartados pela sociedade e pela prepotência dos mais fortes, enquanto estes descartados representam a grande maioria da população.

Neste momento, penso com gratidão naquelas mesas, em que muitos voluntários oferecem seu serviço, dando de comer a pessoas solitárias, desprotegidas, sem trabalho ou sem moradia fixa. Esses serviços e outras obras de misericórdia, como visitar os doentes, os presos, são ações de caridade que difundem a cultura da gratuidade, porque os que aí atuam, são movidos pelo amor de Deus e são iluminados pela sabedoria do Evangelho. Assim, o serviço aos irmãos se torna testemunho de amor, que faz credível e visível o amor de Cristo.

Peçamos à Virgem Maria que, a cada dia, nos conduza pelo caminho da humildade, ela que foi humilde, durante toda a vida, e que nos faça capazes de gestos gratuitos de acolhimento e de solidariedade aos marginalizados, para que nos tornemos dignos da recompensa divina.

https://www.youtube.com/watch?v=byXn801P24I
(Do minuto 8:54 ao minuto 16;59)
Trad.: AJFC

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