Diversas cidades do Brasil e do mundo vão às ruas hoje pelo ‘Fora Temer’

downloadBatalhas pelo “Fora Temer” retomam atos que unem os movimentos pelo resgate democrático. Do lado dos golpistas, frustração com Temer e governo de fichas sujas dificultaram o retorno às ruas neste domingo

O presidente do Supremo Tribunal Federal prevê para 29 de agosto a sessão do Senado que julgará o impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff. Até lá intensificam-se de uma lado as operações de bastidor em busca dos votos dos senadores. E de outro, as batalhas nas ruas.

Hoje (31), a Frente Povo sem Medo concentra forças para a realização de atos em todo o Brasil e em várias cidades do exterior. Em São Paulo, a concentração está programada para iniciar às 14h no Largo da Batata, próximo à estação Pinheiros do metrô, na zona oeste. Em algumas capitais, como Distrito Federal e Belo Horizonte, a concentração já começou, na Feira Central de Planaltina e na Praça Sete, respectivamente. No Rio de Janeiro, os movimentos optaram por concentrar esforços para um grande ato no próximo dia 5, dia em que o mundo estará de olho na Abertura dos Jogos Olímpicos.

“Chamamos as manifestações para o dia 31 precisamente como uma maneira de dar continuidade ao processo de mobilização pelo ‘Fora Temer’, pela defesa dos direitos sociais, diante do risco real de ataque. E também, nesse caso, pela defesa de um plebiscito (sobre antecipação das eleições) pelo qual o povo possa decidir, não apenas o Senado”, diz Guilherme Boulos, coordenador da frente. “Não é aceitável que o destino político do país fique na mão dos senadores. É importante que o povo seja chamado a decidir. Estão anunciando uma série de projetos que visam, na verdade, fazer o Brasil andar 30 anos para atrás”, diz o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

A UNE, que igualmente defende o plebiscito sobre convocação de eleições, faz também convocações para o dia de hoje. A Frente Brasil Popular, que reúne dezenas entidades, não chegou a um consenso sobre novas eleições. Mas parte de sua militância deve participar dos atos deste domingo.

Do outro, o das organizações que patrocinaram as manifestações pelo impeachment, e que desde o processo não faz ações de ruas, o dia é de esvaziamento. Os protestos marcados para hoje foram esvaziados. Com a alegação de que a agenda de votação estaria ainda indefinida, Movimento Brasil Livre e Revoltados On-Line optaram por não se arriscar a um fiasco.

A menos que os setores do Judiciário e da imprensa, que vêm atuando de maneira sincronizada, consigam mais uma vez inflar as ruas, está difícil de convencer as pessoas a vestir novamente sua camisa da CBF para pedir, no lugar de uma presidenta afastada sem crime, um governo formado por corruptos e que não passa uma semana, nos últimos dois meses, sem uma trapalhada ou escândalo.

Para Boulos, os golpistas não têm o que dizer. “Foi cometido um estelionato. Venderam que o impeachment seria uma maneira de acabar com a corrupção. Mas, com o impeachment, se colocou no poder uma autêntica quadrilha”, afirmou. “Então, não sei com que cara essa gente tem condição de sair na rua.”

Centrais

As centrais sindicais definiram a data de 16 de agosto como um dia de mobilização nacional por manutenção de direitos sociais, criação de empregos, retomada do crescimento e contra a agenda de retrocessos e ameaças aos direitos trabalhistas pelo governo interino de Michel Temer. A programação marca a retomada de ações promovidas conjuntamente pelas centrais.

Depois do afastamento de Dilma Rousseff, em 12 de maio, Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central chegaram a realizar reuniões com o governo interino, que pretende levar adiante mudanças na Previdência Social, como ampliação da idade mínima e equiparação da idade de homens e mulheres para acesso a aposentadoria. CUT e CTB se recusaram a dialogar com o governo, considerado ilegítimo.

No dia 16, estão previstas manifestações em frente a sedes de organizações empresariais em todo o país. Em São Paulo, está previsto um grande ato no estádio do Pacaembu. Segundo o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre. “As manifestações do dia 16 serão para dizer que não aceitaremos retiradas de direitos e nenhuma mexida na Previdência e na legislação trabalhista que precarize as relações de trabalho.”

Para a CUT, afirma Nobre, a Frente Povo sem Medo “é parceira na luta contra o golpe”. Por isso, o fato de a central não estar na organização das manifestações deste domingo não significa que não apoie. “É importante que as organizações de base, que têm trabalhado unitariamente com a Povo sem Medo, ajudem a organizar. As entidades filiadas à CUT têm plena liberdade para participar e ajudar.”

Frente Brasil Popular e Frente Povo sem Medo devem estar juntas novamente no ato do dia 5 de agosto, no Rio de Janeiro. No dia 9 serão programadas manifestações descentralizadas pelo país, segundo Raimundo Bonfim, coordenador da FBP e da Central de Movimentos Populares.

Fonte: Rede Brasil Atual
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/07/diversas-cidades-do-brasil-e-do-mundo-vao-as-ruas-hoje-pelo-fora-temer-2446.html

Revista diária fundada em 13 de maio de 2000.

Seções: Cidadania.