28 de fevereiro, dia mundial de luta contra a LER\DORT

As lesões por LER\DORT (Esforço Repetitivo ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), constituem-se num dos mais sérios problemas de saúde enfrentados pelos trabalhadores e trabalhadoras e sindicatos no Brasil e no mundo.

Cerca de 80% a 90% dos casos de doenças relacionadas ao trabalho nos últimos 10 anos no país são representados pela LER/ DORT, o que evidencia a gravidade e abrangência do problema.

Esse é sem dúvida um dos reflexos mais diretos das mudanças ocorridas nas condições e ambientes de trabalho, com a introdução de processos automatizados, aumento do ritmo de tarefas, novas formas de gestão com ênfase na produtividade e lucro, desencadeando maior pressão para a execução de atividades.

Isso sem mencionar a redução dos postos de trabalho, o que vem provocando cada vez mais competição entre os próprios funcionários.

Cabe aos trabalhadores e trabalhadoras se organizarem para lutar contra esse quadro, pois somente dessa forma será possível mudar as situações de trabalho causadores pela LER\DORT.

Hoje, o aprofundamento da reestruturação produtiva, em que o modo de trabalhar muda em função das exigências do mercado, faz com que os patrões fiquem de olhos apenas nos lucros priorizando a diminuição nos custos de produção, reduzindo o emprego e aumentando a produtividade da empresa.

Com isso, houve o aumento da pressão por produção sobre os trabalhadores. Novas formas de gestão e organização do trabalho foram implantadas e houve uma modernização desenfreada dos maquinários das empresas, desprezando as consequências disso, para a saúde de quem trabalha.

O que causa LER/DORT

A Sigla LER/DORT foi criada para identificar um conjunto de doenças que atingem músculos, tendões, nervos (dedos, mão, antebraços, braços e pescoço) e tem relação direta com as condições de trabalho.

Pode ocorrer também em membros inferiores (perna) e coluna vertebral, com inflamações e lesões provocadas por atividades do trabalho que exige do trabalhador realizar suas tarefas em condições que não são ergonômicas. Por exemplo: trabalhar fazendo força física, posições incomodas e inadequadas, receptividade, entre outros fatores. A LER, se diagnosticada em tempo, pode ser tratada, porém, se o diagnóstico for feito tardiamente a mesma não tem cura.

Dificuldade e afastamento do trabalho por LER/DORT

Uma das exigências para o tratamento desta doença é o afastamento do trabalho. Isto é obrigatório, entretanto, as novas medidas sobre as pericias no INSS dificultam ainda mais esse afastamento.

Se os trabalhadores já encontravam dificuldades de provar junto aos peritos do INSS que as lesões por LER\DORT estavam sendo contraídas devido aos ambientes nocivos à saúde dentro das empresas, agora, com as mudanças feitas pelo governo ficará muito pior.

Nas pericias antigas já era difícil de conseguir o beneficio e o devido afastamento. Mesmo com laudos e testemunhas, muitos peritos negavam este direito para os trabalhadores. Porém, nas regras anteriores, logo após a negativa, o lesionado podia entrar com recurso junto ao INSS e pleitear uma nova pericia em busca da reconsideração do pedido negado.

Além disso, o médico perito, que havia negado o benefício na primeira solicitação, não poderia ser o perito da solicitação da reconsideração.

Agora, com as novas medidas, tudo mudou. Se negado o pedido de afastamento, o lesionado só poderá solicitar a reconsideração após de 30 dias. Além disso, o perito que negou o laudo da primeira vez pode ser indicado para analisar o pedido de reconsideração.

Esta situação dificulta a vida dos trabalhadores que precisam desse afastamento. Na maioria das vezes, quem não aceita o retorno do trabalhador é o próprio médico das empresas, haja vista que em grande parte dos casos o trabalhador não esta apto a retornar ao trabalho, pois a LER\DORT não tem cura.

Na situação anterior o trabalhador solicitava o recurso e se reconsiderado tinha seu beneficio mantido. Agora, se quiser recorrer, terá que ficar um mês fora da fábrica, e, além de não receber neste período, ainda corre o risco de demissão por abandono de emprego.

Para piorar ainda mais a situação, o trabalhador pode ser avaliado pelo mesmo médico perito que negou o pedido anteriormente.

Por isso, nesse dia 28 de fevereiro, dia mundial de luta contra LER/DORT, vamos realizar atos nas sedes do INSS onde for possível, vamos protestar contra os abusos das empresas.

Vamos exigir o fim dos ambientes nocivos dentro das empresas que aumentam o aparecimento dessa doença.

Vamos exigir também do governo que revogue as medidas recentes referentes às pericias que só pioram a vida dos trabalhadores e trabalhadoras em nosso país.

Fonte: CSP-Conlutas

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