2018: memória, esperança e compromisso

2018 desponta recheado de memória subversiva, de esperança e de compromissos. No tocante à memória, estamos a celebrar, neste 2018, um elenco de acontecimentos emblemáticos – tanto para nossas sociedades, como para nossa(s) Igreja(s), dentre os quais sublinhamos:

= bicentenário do nascimento de Karl Marx, com sua densa contribuição à humanidade;

= meio século do martírio de Martin Luther King Jr, com seu legado de justiça e paz. Sobre ele, recomendo, como uma singela homenagem; o breve documentário, acessível no “link”:

= os 50 anos de Maio de 1968, uma lufada de ventos revolucionários, protagonizada sobretudo pelos jovens (lembro-me de um de seus ditos: “Soyez raisonnables: demandez l´impossible!”);

= a realização da Conferência Episcopal Latino-Americana de Medellín, com sua atmosfera revolucionária, também ao interno da Igreja Católica;
= a efervescente conjuntura de mobilização, na América Latina e no Brasil (culminando infelizmente com a tenebrosa decretação do AI-5 (13/12/1968 – “o golpe dentro do Golpe”)…
Também no calendário católico de 2018, figuram iniciativas relevantes, dentre as quais:
= a realização, em Londrina – PR, nos próximos dias, do XIV Encontro Intereclesial das CEBs, cujo tema girará em torno dos desafios urbanos;
= celebração do Ano dos Leigos e Leigas;
= a Campanha da Fraternidade 2018, dedicada ao desafio da violência;
= a realização, no Santuário de Santa Fé, em Solânea – PB, em meados de março próximo, da II Romaria, em memória do Pe. José Comblin;
= a realização, em Aparecida – SP, do Fórum Mundial do Povo de Deus, organizado por diversos grupos de católicos e católicas, de vários países, clamando por reformas na Igreja Católica, e em apoio ao Papa Francisco.
Com o propósito de seguir exercitando a reflexão (comunitária e pessoal) sobre o papel dos Leigos e Leigas, desde as primeiras comunidades cristãs, e, antes mesmo, no tempo de Jesus, cuido de recomendar a palestra de Enzo Bianchi, “Gesù e le donne”, acessando-se o “link”:

https://www.youtube.com/watch?v=ik-G439Z4x8

Sem tempo para uma tradução (para quem seja o caso), seguem alguns pontos fortes da reflexão oferecida por Enzo Bianchi:
PONTOS FORTES DESTACADOS DA PALESTRA DE ENZO BIANCHI, “GESÙ E LE DONNE”
* Entre as pessoas que seguiam Jesus, em suas atividades missionárias pela Galiléia, por onde Ele passou fazendo o bem e pregando o Evangelho do Reino de Deus, Jesus, que é “o Enviado do Pai”, havia homens e mulheres, conforme vários relatos evangélicos.
* Para além dos discípulos (homens), Jesus vinha acompanhado de várias mulheres que, tendo ou não sido chamadas explicitamente de “discípulas”, seguiam normalmente a Jesus, com um compromisso até maior do que os discípulos: na paixão e no sepultamento de Jesus, somente as mulheres O acompanharam presencialmente, enquanto os discípulos haviam fugido…
* Tanto nos evangelhos sinóticos quanto no Evangelho de João, são muitas as passagens dando testemunho da efetiva presença de mulheres como seguidoras de Jesus, junto com os discípulos. São diversos os episódios registrados, dando testemunho da abertura de Jesus às mulheres, com elas dialogando, sinalizando amizade e confiança, enquanto estas se dispunham ao serviço (“Diakonía”) e ao seguimento (“Akolouthein”) do Mestre.
* Jesus por elas se deixou perfumar e beijar, atraindo assim a ira machista da época sobre Ele.
* Maria Madalena foi a primeira pessoa a quem aparece o Ressuscitado, que lhe pede que vá anunciar a Pedro e aos outros apóstolos, sua Ressurreição, razão pela qual o teólogo Tertuliano vai chamá-la de “Apóstola dos Apóstolos”.
* No que diz respeito aos costumes e normas do Seu tempo, Jesus estabeleceu uma profunda RUPTURA, razão por que também foi perseguido (“corruptor de mulheres”). Curioso e patético é que, logo após a vida pública de Jesus, tudo volta a ser como antes… Até hoje?
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João Pessoa, 02/01/2018

 

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