ELEIÇÕES NO EQUADOR # 17/10/2006
Consórcio brasileiro abre crise e estimula denúncias de fraude
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A empresa brasileira E-Vote, contratada pelo TSE do Equador, não conseguiu divulgar resultado no prazo estipulado. Foi determinada uma recontagem dos votos, que apontava empate entre Rafael Correa e Álvaro Noboa. Por Alexandre Sammogini,  especial para Carta Maior


QUITO – O consórcio brasileiro E-Vote, contratado para realizar a transmissão rápida do resultado da eleição equatoriana ocorrida no último domingo (15/10), transformou-se no pivô de uma crise entre os partidos e o Tribunal Superior Eleitoral. Formado pelas empresas Probank e Via Telecom, o consórcio receberia US$ 5,2 milhões para divulgar os resultados para presidente e parlamentares no mesmo dia da eleição. Contudo, o sistema de transmissão de dados entrou em colapso ainda na madrugada de domingo para segunda , quando cerca de 70% dos votos para presidente e vice estavam tabulados, enquanto os resultados dos candidatos proporcionais nem apareciam.

Como os resultados parciais divulgados por E-Vote apresentavam surpresas em comparação com as pesquisas de boca de urna, os partidos mais prejudicados começaram a suspeitar de fraudes. Em seguida, a Alianza Pais, do candidato esquerdista Rafael Correa, apresentou ao Ministério Público uma denúncia de fraude na contagem dos votos e uma ação para evitar a saída do responsável de E-Vote do país, Santiago Murray. Como a empresa desmontou a central de informações que estava no luxuoso Hotel Suíço em Quito, surgiram suspeitas que os responsáveis fugiriam do país. Pouco antes, o presidente do TSE, Xavier Cazar, anunciava o cancelamento do contrato com o consórcio brasileiro, segunda (16) pela manha. 

Os rumores foram desfeitos apenas quando Murray deu uma entrevista coletiva no meio da tarde e disse que não pretendia sair do país e desculpou-se pela falha na divulgação dos resultados. “Apresento minhas desculpas pela falha no sistema. Pretendemos continuar trabalhando para divulgar o resultado o mais rápido possível”, disse. A declaração não foi suficiente para conter os efeitos da crise, que já começava a mobilizar militantes de organizações sociais e políticas. 

No final da tarde de segunda (16), cerca de 500 manifestantes de diversos partidos e movimentos, na maioria apoiadores de Rafael Correa, realizaram um protesto em frente ao Tribunal Eleitoral, em Quito. A mobilização foi praticamente imediata porque já circulavam rumores de fraudes na semana anterior à eleição, devido a ascensão da candidatura do mega-empresário, Álvaro Noboa, do PRIAN. De fato, os resultados divulgados previamente por E-Vote mostravam resultados bem diferentes daqueles projetados pelas pesquisas do final da campanha e da boca de urna. As principais surpresas eram o primeiro lugar para Noboa com cerca de 5% a frente de Correa e o terceiro lugar para o populista Gilmar Gutierrez, do PSP, com 16%, irmão do ex-presidente deposto por corrupção no início do ano passado, Lucio Gutierrez. 

Devido ao problema ocorrido com E-Vote, o Tribunal Eleitoral está realizando a recontagem dos votos. Atualmente com cerca de metade das urnas apuradas para a eleição presidencial, Rafael Correa alcança o primeiro lugar com 25,09%, praticamente empatado com Álvaro Noboa, com 25,08%. Em terceiro lugar, aparece Leon Roldós, seguido de perto por Gilmar Gutierrez.

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