15 anos após massacre, moradores de rua seguem sem amparo do poder público

São Paulo – Pessoa em situação de rua dorme na rua São Luís, região central (Rovena Rosa/Agência Brasil)

O Massacre da Sé completa 15 anos nesta semana. Em agosto de 2004, 14 moradores em situação de rua foram espancados, resultando em sete mortos. Até hoje, os culpados não responderam pelo crime. De acordo com o padre Júlio Lancellotti, a violência contra essa população tem se agravado, principalmente, pela omissão do poder público.

“Nós sabemos quem são (os criminosos), mas não foram punidos. O processo foi ao STJ, mas foi recusado, mesmo com as provas colhidas pelos policiais”, afirma Lancellotti, em entrevista à Rádio Brasil Atual. De acordo com as investigações, o objetivo dos ataques foi silenciar os moradores em situação de rua que sabiam do envolvimento de policiais com tráfico de drogas da região.

Nesta segunda-feira (19), três moradores de rua foram atropelados próximo à Avenida São João, no centro de São Paulo. O motorista, que dirigia um carro de luxo em alta velocidade, fugiu sem prestar socorro. Apesar das lesões, nenhuma das vítimas corre risco de vida.

O padre lembra que a omissão da prefeitura de São Paulo também resulta em mortos. Nove moradores de rua já morreram recentemente por causa do frio. “Todo inverno a prefeitura diz que há lugar para todos, mas não há, e quando tem nem sempre é adequado. Vaga é para carro, as pessoas precisam ser acolhidas”, criticou.

Júlio Lancellotti diz que sofreu novas ameaças de morte nesta semana. “Recebemos outro recado, através de policias da Guarda Civil Municipal (GCM), dizendo que a ‘hora do padre vai chegar’. Esse ódio está aguçado, todo mundo saiu do armário e o símbolo isso foi a escuridão que a cidade de São Paulo viveu, ontem de tarde”, lamentou.

Fonte: Rede Brasil Atual

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